Pintura para além da metáfora Show all records where Título is equal to Pintura para além da metáfora
Ana Carolina Mondini Show all records where Autor is equal to Ana Carolina Mondini
UFPR Show all records where Instituição is equal to UFPR

A pintura compreendida como componente estilístico da filosofia dos Ensaios vincula-se diretamente à operação da imaginação e da percepção que lhe advém. Neste sentido, pintura seria, além de uma metáfora ilustrativa para o projeto de autoconhecimento, algo que condiz à imagem propriamente dita que se forma do autor, de Michel de Montaigne (1533-1592). Como nestes ensaios contidos estão as variadas impressões, juízos, sentimentos de um sujeito, e em conformidade à natureza oscilante do próprio espírito humano, formam-se diversos planos de significação das operações textuais. O autorretrato montaigneano jamais se confundiria com uma autobiografia, pois não se trata de uma narrativa e, menos ainda, linear. Embora haja a possibilidade de atribuir a cada plano de significação determinada linearidade, possibilitando sua transliteração, antes disso é preciso que determinada experiência perceptiva se realize. Essa experiência se oferece através de imagens determinadas e que delimitam os planos de significação, que, num primeiro momento, podem parecer assuntos misturados ou, muitas vezes, afirmações ambíguas ou desconexas. A cada imagem que se forma, há um plano textual diretamente relacionado. Enfim, ao instituir a pintura como componente de sua obra, Montaigne instaura uma nova forma estilística que não mais distingue a imagem da palavra. Ou melhor, das próprias palavras ou sentenças, emanam as imagens. Elevada a discussão ao plano da relação entre palavras e imagens ou, analogamente, imaginação e razão, encontramos no ensaio “Da amizade”, a discussão sobre a pintura e arte literária, sendo a amizade a metáfora que figura essa relação. Trata-se, ao que tudo indica, de um posicionamento sobre a discussão da doutrina do ut pictura poesis, havida no século XVI, principalmente, entre os italianos. Debate tal que consiste no exame sobre o parentesco entre aquelas duas artes. Dado que esse viés estilístico e suas implicações não são assuntos diretamente visíveis na filosofia em questão, assim como ocorre com todo e qualquer assunto ali contido, torna-se necessária uma análise um pouco mais demorada sobre o movimento interno da obra.

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25/10/2018
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