A fides e a possibilidade da política em montaigne Show all records where Título is equal to A fides e a possibilidade da política em montaigne
Natanailtom de Santana Morador Show all records where Autor is equal to Natanailtom de Santana Morador
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Montaigne, inegavelmente, tomou conhecimento dos escritos de Maquiavel e estes o impactaram sobremaneira. Os Ensaios estão repletos de alusões, quando não referências explícitas, às questões tratadas pelo pensador florentino, a ponto de Nakam (1984) afirmar que “cada um dos três livros é introduzido por um capítulo com ressonância maquiaveliana”. Entretanto, a interlocução com Maquiavel se dá pelo viés da contraposição. Montaigne, nos Livros I e II dos Ensaios, tece críticas acirradas ao modo como Maquiavel compreendia a política; segundo o filósofo francês, algumas das teses apresentadas no Príncipe, como o uso da violência para a manutenção do poder e as guerras travadas com as regiões vizinhas visando a expansão de territórios, eram meras demonstrações da fraqueza de nossa condição humana. Em outras passagens, especialmente no capítulo 17 (Da presunção) do Livro II, Montaigne critica veementemente algumas das ações políticas defendidas por Maquiavel, as quais aquele denomina de a “nova virtude de fingimento e dissimulação” e as caracteriza como “covardia e baixeza de ânimo”. Outrossim, no Livro III, sobretudo no capítulo 1 (Do útil e do honesto), a crítica reaparece de uma maneira mais elaborada. Montaigne volta a condenar o não cumprimento da palavra dada e a ausência de virtude nas ações pública e privada, a partir da distinção entre o que compreende por útil e honesto. Encontramos, neste primeiro capítulo do Livro III, uma crítica profunda ao pensamento político maquiaveliano, que vem acompanhada de uma possível solução para o “rebaixamento” da política, operado por Maquiavel. É a solução proposta por Montaigne que nos interessa sobremaneira. Tentar-se-á compreender a estrutura do capítulo do Útil e do honesto com o propósito de investigar os fundamentos de uma recuperação da política a partir da “sinceridade e a verdade pura”, do cumprimento da palavra dada, em síntese: de uma possibilidade viável para a vida política que passa necessariamente pela compreensão que os romanos tinham do termo fides. Neste sentido, a presente comunicação centrar-se-á no capítulo 1 do Livro III dos Ensaios, de onde tentará compreender as formulações das críticas de Montaigne a Maquiavel e buscará explicitar a saída que aquele propõe como uma via do exercício pleno da política, investigando, consequentemente, a noção do termo bona fides para os filósofos helenistas, sobretudo Cícero, e a apropriação que Montaigne faz deste conceito para estabelecer “diferença entre as coisas úteis e as honestas”, propondo uma compreensão da vida pública regida pelas virtudes e pela obediência às leis.

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25/10/2018
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