Uma reflexão inicial sobre a constituição do homem após sua inserção nas redes sociais virtuais a partir do pensamento de Husserl e de Hermann Schmitz Show all records where Título is equal to Uma reflexão inicial sobre a constituição do homem após sua inserção nas redes sociais virtuais a partir do pensamento de Husserl e de Hermann Schmitz
Jorge Melo de Oliveira de Souza Junior Show all records where Autor is equal to Jorge Melo de Oliveira de Souza Junior
UNB/METAFÍSICA Show all records where Instituição is equal to UNB/METAFÍSICA

Esta apresentação se propõe a realizar uma reflexão preliminar sobre a constituição do homem e o papel das redes sociais virtuais nessa constituição e, para isso, serão utilizados os pensamentos de Husserl - a subjetividade transcendental presente em sua fenomenologia genética - e de Hermann Schmitz - a sua análise do corpo sensível atenta às possibilidades da vida em sua Nova Fenomenologia. No mundo virtual o homem pode aparentar ser aquilo que ele efetivamente não é em seu mundo real, assim, a diferenciação entre o próprio e o estrangeiro torna-se frágil. Forma-se uma nova crise, mas agora com a abrangência que o acesso ao mundo virtual possui? Ao utilizar constantemente as redes sociais, o homem distancia-se de seu mundo da vida real e, até mesmo, de seu corpo real. Husserl, em um contexto diferente, afirmou que o conhecimento científico se distanciou do mundo da vida do ser humano, de modo que se tornou técnico e perdeu seu significado para a humanidade. Diante disso, indicou a crise nas ciências, na cultura e na humanidade: a crise da razão. Por isso, mencionou o „Sachen selbst zurückgehen-. Utilizo-me desse retorno proposto por Husserl para iniciar esta reflexão, pois, agora é a própria vida do homem que se distancia de sua realidade. Há a crença ingênua de que as relações nas redes sociais virtuais possuem a mesma veracidade que as relações do mundo real e a aproximo à crença na veracidade suprema do conhecimento científico - a razão teórica -, criticada por Husserl. O que é a velocidade de um corpo: é a distância percorrida dividida pelo intervalo de tempo gasto para percorrê-la; ou é a percepção do movimento do corpo? O que é o tratamento de um paciente: é a extinção da doença; ou é a garantia da qualidade de vida desse paciente? O que é amizade: os -likes- nas publicações nas redes sociais; ou o sentimento fraterno entre duas pessoas? O paradoxo da subjetividade mencionado por Husserl adquire novo contexto na atualidade, pois, quando os homens permanecem conectados durante todos os instantes de seus dias nas redes sociais através de seus aparelhos celulares, configura-se um novo -ambiente- de inter-relacionamentos: o mundo virtual. Amplia-se, assim, o paradoxo husserliano: atualmente a pessoa é subjetiva, intersubjetiva real e intersubjetiva virtual. Isso influencia tanto na constituição do homem como em seus instintos, suas crenças, suas fantasias, seus desejos e seus medos. Distingue-se o ser humano virtual e o real? Seus sentimentos virtuais e os reais? Há, portanto, uma transformação nas questões relacionadas à subjetividade, à personalidade, à felicidade e, principalmente, às relações interpessoais. Utilizo-me inicialmente o pensamento fenomenológico de Husserl sobre o homem, a fim de refletir sobre a possibilidade de desvelar o sentido originário do ser do homem inserido nas redes sociais do ambiente virtual, pois, caso exista essa possibilidade, ele poderá fundamentar a sua vontade nos valores relacionados ao sentido originário de sua vida. Assim, para Husserl, ele garante uma vida autêntica e altera seus hábitos que foram sedimentados passivamente a partir da vida cotidiana na atitude natural. Deste modo, ocorre a renovação do homem, que deve ser realizada constantemente diante dos conflitos existenciais de sua natureza humana em seu mundo da vida. O homem se transforma e transforma também a sociedade em que vive, seu mundo real, bem como seu comportamento no mundo virtual. Isso evitaria uma nova crise, no entanto, há uma questão que permanece indeterminada: a fundamentação dos valores a partir do sentido originário da vida do homem. O que, enfim, é preciso que se considere como válido? Assim, recorro ao pensamento de Hermann Schmitz. Acredita-se que a razão teórica tem a capacidade de examinar criticamente objetivos, avaliar consequências colaterais e organizar meios para se alcançar fins, por outro lado, não é capaz de determinar os objetivos nem dar sentido à vida do ser humano. Estes se relacionam aos seus sentimentos e as suas sensações e, por isso, urge que sejam inseridos em uma investigação filosófica que se utilize de um modelo próprio de reflexão, distinto do modelo utilizado para a reflexão sobre a razão teórica.

FENOMENOLOGIA E HERMENÊUTICA Buscar Grupo igual a FENOMENOLOGIA E HERMENÊUTICA
Dia 22 | Segunda | Sala 714| 15:45-16:15
CCJE
22/10/2018
FaLang translation system by Faboba