A análise da vida por Hegel como base da crítica do materialismo Show all records where Título is equal to A análise da vida por Hegel como base da crítica do materialismo
Thiago Ferreira Lion Show all records where Autor is equal to Thiago Ferreira Lion
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Na obra de Hegel o tema -vida- aparece recorrentemente, mas geralmente de maneira muito concisa ou em formulações de difícil compreensão, o que abre espaço para as acusações de misticismo. Na Fenomenologia do Espírito a vida aparece primeiro no final do terceiro capítulo, quando Hegel afirma que a -infinitude simples - ou o conceito absoluto - deve-se chamar a essência simples da vida, a alma do mundo, o sangue universal- (§ 162). Já na Enciclopédia das Ciências Filosóficas, Hegel afirma que -a vida (...) é em si e para si, absoluta universalidade; a objetividade, que tem em si, está penetrada em absoluto pelo conceito, tem apenas o conceito como substância- (§216), enquanto na Ciência da Lógica encontramos formulações igualmente misteriosas como -a Ideia imediata é a vida. O conceito, como alma, é realizado em um corpo, de cuja exterioridade essa alma é a universalidade imediata referindo-se a si- (p. 956 da ed. Argentina). A crítica materialista da teoria hegeliana, empreendida principalmente pelo marxismo, toma em geral essas afirmações como expressões diretas de misticismo, como uma espécie de -primado abstrato do todo- (formulação de Adorno nos Três Estudos Sobre Hegel) ao qual não se sabe como ou porque se afirma. De modo similar - sem dar a devida atenção à formulação de Hegel de que a vida é o Conceito - criticou Marx a -mistificação idealista-, especialmente em sua Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Uma análise mais detida das formulações de Hegel, no entanto, revela - como comentadores atentos como Lebrun e Canguilhem perceberam - que esta concepção de vida é próxima da que Aristóteles apresenta em seu De Anima. O ser vivo possui - em conjunção indissociável com seu corpo - uma alma, isto é, uma estrutura abstrata que organiza o material inorgânico constituindo um organismo, algo que é para si. Um animal não é pura materialidade sensível, mas tem como sua essência um suprassensível, um abstrato que o anima. A vida não é apenas material inorgânico, mas uma forma imaterial que reúne este inorgânico numa nova dinâmica. Mesmo antes do surgimento do ser humano, a forma primordial da abstração já molda o mundo material por meio dos seres vivos onde ela aparece encarnada. A abstração e a noção de gênero não são apenas algo meramente social, mas tem um antecedente natural que dá seu horizonte lógico. Retomarei na exposição referências de Hegel críticas ao materialismo, como quando ele fala dos -mistérios dos Eleusis- na Fenomenologia, afirmando que -nem mesmo os animais estão excluídos dessa sabedoria, mas antes, se mostram iniciados no seu mais profundo; pois não ficam diante das coisas sensíveis como em si essentes, mas desesperando dessa realidade, e na plena certeza de seu nada, as agarram sem mais e as consomem- (§ 109). Se os animais já tem por essência o Conceito como essa abstração que organiza seus átomos e moléculas inorgânicas, o idealismo objetivo toma não mais a forma de um -primado abstrato do todo- como um pressuposto que não se discute, mas capta o todo já como efetividade gerada pelo conceito desde sua forma mais simples: a vida.

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22/10/2018
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