Uma análise comunitarista sobre o republicanismo maquiaveliano Show all records where Título is equal to Uma análise comunitarista sobre o republicanismo maquiaveliano
Antonio Carlos Maia Gissoni Show all records where Autor is equal to Antonio Carlos Maia Gissoni
UFPEL Show all records where Instituição is equal to UFPEL

Ao teorizar sobre a formação e a continuidade de um Estado, Nicolau Maquiavel (1469-1527) intencionava justificar uma forma de governo na qual a prioridade da ação política fosse a causa pública. Assim, com o intuito de expressar a sua predileção por uma comunidade política voltada ao bem comum, o autor escreveu a obra Comentários Sobre a Primeira Década de Tito Lívio (1513) - ou Discorsi -, e fundamentou o seu pensamento no período em que a Política Romana esteve organizada sob a forma de uma República (séc. VI a. C. - séc. I a.C.). Segundo Maquiavel, esse período da História Romana tornou-se notório devido à divisão tripartite do poder político - Consulado, Senado e Tribunos e, por isso, o estabelecimento de um Estado representativo -, a qual possibilitou aos plebeus o acesso a cargos importantes em relação às decisões políticas. Entretanto, como o conflito de interesses entre os plebeus e os nobres era algo inevitável em qualquer Estado, para Maquiavel os conceitos de virtù e fortù, a verdade efetiva - a verittà efetualle -, são fundamentais para compreender os motivos pelos quais os indivíduos não agiam somente por seus próprios interesses, mas também pelos da república. Por conta disso, a Liberdade era considerada um patrimônio coletivo, a causa pública por excelência, devendo ao povo à responsabilidade sobre sua conservação. Alasdair MacIntyre (1929), filósofo da segunda metade do século XX, preocupa-se em resgatar uma Ética das Virtudes criticando a maneira como o Liberalismo - o enaltecimento irrestrito da individualidade -, prejudica o convívio coletivo. Assim, como ele não considera que o indivíduo esteja alheio à influência do período histórico, social, político o qual faz parte, isto é, o indivíduo não pode ser resumido à racionalidade pura, em duas de suas obras ele detalhou os pressupostos dessa sua crítica, a saber: Depois da Virtude (1981) e Justiça de Quem? Qual Racionalidade? (1988). Nelas, ele escrutinou os conceitos como Tradição e Prática, mostrando que eles podem ser confrontadas interna e externamente devido ao enfrentamento por interesses individuais e coletivos. Para MacIntyre, os conflitos que envolvem o poder político são inerente às sociedades e, por isso, há a necessidade de uma comunidade política em que as virtudes sejam apreciadas e praticadas em defesa de valores que abranjam a totalidade dos cidadãos, o bem comum. Nesse contexto, as análises sobre as considerações de Maquiavel e MacIntyre permitem variadas interpretações acerca da estruturação de uma comunidade política, apesar da distância cronológica. Isso porque ambos os autores perceberam a importância do Estado definir o bem comum pertinente à todos os indivíduos. Para eles é fundamental que os indivíduos estejam livres para irem em busca da realização de seus interesses, porém, as ações e as práticas consideradas virtuosas serão aquelas que guarnecerem o bem comum, são as mais reverberadas para a vida em comunidade.

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