A analítica transcendental como doutrina da verdade Show all records where Título is equal to A analítica transcendental como doutrina da verdade
Francisco A. de M. Prata Gaspar Show all records where Autor is equal to Francisco A. de M. Prata Gaspar
UFSCAR Show all records where Instituição is equal to UFSCAR

Segundo uma certa leitura da Analítica Transcendental da Crítica da razão pura, caberia a essa parte da primeira Crítica mostrar como são possíveis as ciências racionais a priori, notadamente, a matemática pura e a ciência pura da natureza, de modo que no tratamento do problema de justificação da validade objetiva de nossas representações subjetivas - das intuições e, sobretudo, dos conceitos -, isto é, na Dedução Transcendental, o que Kant teria feito seria mostrar como é possível passar do domínio subjetivo e particular das percepções para o domínio objetivo e universal dos conhecimentos racionais a priori. Não sem razão, tal interpretação faz uso da distinção traçada nos Prolegômenos entre -Wahrnehmungsurteil- e -Erfahrungsurteil-, e até mesmo replica ali na Crítica o esquema -cronológico- presente naquela obra, qual seja, o de que, em um primeiro momento, teríamos uma percepção de valor subjetivo - um mero -juízo de percepção- -, mas que, em um segundo momento, ao ser subsumida sob uma categoria do entendimento, tal percepção adquiriria validade objetiva (universal e necessária) - tornar-se-ia um -juízo de experiência-, cabendo, pois, à categoria a função de outorgar objetividade às nossas representações. Nesse sentido, o problema da dedução transcendental dos conceitos puros do entendimento é compreendido como o problema da possibilidade da subsunção de um objeto particular, dado através da intuição, sob a categoria, enquanto conceito universal de um objeto em geral. Entre os defensores dessa interpretação da Analítica Transcendental podemos citar os nomes de Codato, Licht, Torres Filho, Giannotti. Ao nosso ver, essa interpretação incorre em algumas incongruências. Primeiro, se o problema da Analítica Transcendental é o de justificar as ciências puras já estabelecidas, cabendo à categoria a função de atribuir objetividade às percepções subjetivas, então seu uso não seria absolutamente necessário, mas contingente e hipotético: se queremos fazer ciência, então é necessário o uso da categoria. Depois, a distinção entre -juízo de percepção- e -juízo de experiência- não comparece no texto da Crítica; ao contrário, ali Kant diz expressamente que as categorias estão sempre em uso, mesmo na percepção mais simples dos objetos, afinal não há intuição sem categoria e vice-versa. Em nossa contribuição, de caráter ainda polêmico, pretendemos mostrar as dificuldades dessa interpretação -cientificista- da Analítica Transcendental, indicando qual seria enfim a doutrina da verdade ali estabelecida. O que está em jogo, no fundo, é a compreensão da síntese transcendental entre intuição e conceito operada pela imaginação produtiva, síntese que, ao nosso ver, torna possível a aparição de qualquer objeto para a consciência e, até mesmo, a própria consciência empírica.

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22/10/2018
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