Vida e existência: uma abordagem do corpo em Heidegger Show all records where Título is equal to Vida e existência: uma abordagem do corpo em Heidegger
Flavia Neves Ferreira
Thiago Ehrenfried Nogueira Show all records where Autor is equal to Thiago Ehrenfried Nogueira
PUC/PR Show all records where Instituição is equal to PUC/PR

Pretende-se refletir acerca da vida e da existência em torno da problemática do corpo, sob a perspectiva de Martin Heidegger. Em um primeiro momento, busca-se demonstrar que, para o autor, o problema da vida e do corpo depende, antes de tudo, da questão sobre o sentido do ser, que é o cerne da problemática da ontologia fundamental. A pergunta "o que é um corpo?", portanto, apenas surge no interior da pergunta sobre o sentido do ser em geral. Questionamento este que é apenas possível pelo dasein devido ao seu caráter existencial. Opera aqui, uma diferença ontológica entre vida e existência na perspectiva de Heidegger. Este é um dos sentidos da distância essencial entre o homem e o ser vivo que é escrito na carta sobre o "humanismo", é a distancia entre vida e existência. Desse modo, o dasein como ente aberto a questão do ser funda a pergunta sobre o corpo como uma parte de sua existência, não sendo reduzidas as investigações acerca do corpo e da vida decorrentes do fisiologismo, cientificismo, subjetivismo, fisicalismo, etc. Deste modo a vida, e, por conseguinte o corpo, estão no interior de um questionamento regional sobre o homem representado, por exemplo, pela biologia. É justamente na contracorrente das ciências modernas que Heidegger busca se posicionar. Nessa direção, os elementos como espaço/corpo/tempo são tratados por este filósofo como modos da existência. Sendo assim, em um segundo momento, este trabalho pretende analisar como Heidegger aborda diretamente o corpo como caráter da existência. A partir dos seminários de Zollikon, o filósofo alemão aborda o corpo não o restringindo ao questionamento biológico das ciências naturais, que o reduzem a noção de um corpo físico compreendido de forma físico-biológica. O que Heidegger propõe é que o limite do corpo não é o limite da epiderme, visto que estamos lançados num movimento extático, ou seja, aberto no mundo. O corporar remete a relação do dasein com o mundo e na relação dele com os outros entes, assim, o corporar consiste no horizonte existencial no qual o ser ali permanece. Na medida em que o dasein é abertura, ele é dotado de experiências advindas das relações espaciais no interior desta abertura. Nesse sentido, o dasein é constituído por um movimento expositivo, por uma saída de si, uma dinâmica ek-stática. O que se pode apreender é que não se faz possível pensar num mundo sem a experiência do corpo do homem, dessa forma, a significação do mundo se reconstrói justamente a partir do corpo. Isto é, nós somos presença por intermédio do corpo que revela nossa maneira de ser-no-mundo e isso significa estar aberto ao mundo, significa movimento, busca e abertura de possibilidades.

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Dia 23 | Terça | Sala 7|09:30-10:00
IC 3
23/10/2018
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