Uma caracterização externista do a priori Show all records where Título is equal to Uma caracterização externista do a priori
Celia Teixeira Show all records where Autor is equal to Celia Teixeira
UFRJ/PPGLM Show all records where Instituição is equal to UFRJ/PPGLM

A distinção entre conhecimento a priori e conhecimento a posteriori capta uma diferença intuitiva entre dois modos distintos de conhecer: de forma independente da experiência ou através da experiência. Contudo, apesar desta diferença intuitiva, não é claro que existam de facto dos modos distintos de conhecer. E, ao passo que a existência de conhecimento empírico é inegável, a não ser que aceitemos um cepticismo forte, o mesmo não acontece com o conhecimento a priori. A possibilidade do conhecimento a priori levanta vários tipos de dificuldades, começando pela própria caracterização de conhecimento adquirido de forma independente da experiência. Em que sentido é o conhecimento a priori independente da experiência? Como deve a noção de "experiência" ser entendida? O meu objetivo principal é clarificar a noção de "independência da experiência". Uma caracterização de conhecimento a priori como conhecimento adquirido de forma independente da experiência é inteiramente negativa, uma vez que apenas nos diz o que o conhecimento a priori não é: não é conhecimento adquirido através da experiência. Por exemplo, se compreendermos a noção de experiência de forma ampla, de modo a incluir não apenas a experiência sensorial, mas também a experiência dos nossos próprios estados mentais, então o conhecimento introspectivo será classificado como a posteriori. Se entendermos “experiência” de forma estreita, de forma a excluir experiência introspectiva, então o conhecimento dos nossos próprios estados mentais revela-se a priori. Contudo, se queremos captar uma distinção epistêmica genuína, não podemos limitar-nos a encontrar uma solução por estipulação para este tipo de problema. E, de facto, as dificuldades em torno de como compreender a noção de independência da experiência levaram muito recentemente a filósofos como Timothy Williamson a defender que a distinção entre a priori e a posteriori é superficial e não desempenha qualquer trabalho epistemológico. O meu objetivo é propor uma forma de compreender a noção de "independência da experiência" que bloqueie os problemas que a concepção tradicional da noção enfrenta. Defendo que devemos evitar considerações internistas relativas ao modo de compreender quando uma crença se encontra justificada de forma independente da experiência focando-nos antes no tipo de processo que gera e apoia as crenças e o conhecimento a priori. A minha proposta é uma forma de fiabilismo de acordo com a qual, sucintamente, a crença de s de que p é adquirida a priori sse a crença de s de que p é gerada e apoiada por um processo fiável não-experiencial. E um processo é não-experiencial sse está disponível para gerar e apoiar crenças em todas as circunstâncias contrafactuais relevantes. Por fim, irei testar a correção desta caracterização contra as críticas de Williamson.

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Dia 23 | Terça | Sala 6 |17:15-17:45
IC 2
23/10/2018
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