Vigilância em massa e o poder dos dados na era digital Show all records where Título is equal to Vigilância em massa e o poder dos dados na era digital
Leonardo Jorge da Hora Pereira Show all records where Autor is equal to Leonardo Jorge da Hora Pereira
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Uma reflexão crítica sobre os caminhos e descaminhos das tecnologias contemporâneas se impõe com cada vez mais força à teoria crítica na atualidade. Não se pode mais falar de “social” ou de “filosofia social” apenas se referindo à interação intersubjetiva; é preciso focar igualmente na interação humana com os aparatos técnicos. O escândalo de vazamento de dados envolvendo o Facebook e a empresa de consultoria e marketing Cambridge Analytica foi provavelmente o mais recente episódio – mas certamente não o último – a chamar a atenção da opinião pública e dos cidadãos para os perigos e ameaças à privacidade relacionados às tecnologias digitais de extração, captação e armazenamento de dados em larguíssima escala. Alguns autores (Shoshana Zuboff) têm destacado que o fenômeno do Big Data é um signo de uma nova fase do capitalismo, um capitalismo informacional e de vigilância. Empresas como Google e Facebook representariam o protótipo de um novo tipo de empresa capitalista, pautada pela extração massiva e invasiva, e posterior comercialização de dados. Nesse contexto, não se trata apenas simplesmente de extrair dados a despeito dos direitos de privacidade, mas também de influenciar e condicionar o comportamento dos usuários a partir destes dados – seja um comportamento de consumo, seja um comportamento político, como no caso da Cambridge Analytica. Por outro lado, outros autores (Titus Stahl) ressaltam que não apenas no âmbito econômico, mas também no âmbito propriamente político temos neste processo de vigilância massiva ameaças à liberdade e autonomia (privado e coletiva) dos cidadãos, o que se constitui, mais amplamente, num perigo à própria ordem democrática. Neste caso, os atores desta extração de dados e vigilância massiva são os próprios Estados, e não mais simplesmente as empresas capitalistas. O episódio mais emblemático a esse respeito foi certamente o das revelações de Edward Snowden sobre as práticas de vigilância global de agências e programas ligados a governos como o americano e o britânico. Esse sistema de vigilância constituiria assim um obstáculo à manutenção da integridade das esferas públicas e às possibilidades efetivas de auto-organização e auto-determinação por parte dos cidadãos e concernidos em diferentes âmbitos da sociedade civil. Tendo em vista este pano de fundo de crescente digitalização da vida, acompanhada de processos de captação e armazenamento massivos de dados por parte de diferentes mecanismos e instâncias, gostaria de discutir, nesta comunicação, (i) a acuidade do diagnóstico de uma nova fase do capitalismo pautada no fenômeno do Big Data; (ii) a constituição de um novo tipo de poder governamental sobre o público, fundado na vigilância massiva; e, last but not least, (iii) refletir mais amplamente sobre a questão da crescente centralidade dos dados e da informação na vida social e nos processos de subjetivação.

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Dia 24| Quarta | Sala 18|10:45-11:15
IC3
24/10/2018
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