Textualidade e a corporificação: considerações sobre arte, retórica e performatividade Show all records where Título is equal to Textualidade e a corporificação: considerações sobre arte, retórica e performatividade
Anderson Bogéa da Silva Show all records where Autor is equal to Anderson Bogéa da Silva
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Arthur Danto constrói uma filosofia da arte de natureza interpretativa, fazendo alusão a uma dimensão retórica presente nas obras de arte. Isso é observado tanto em sua definição do "é" da identificação artística, já em o mundo da arte (1964), mas também em a transfiguração do lugar-comum (1981), quando afirma que o processo de compreensão de uma obra de arte "[...] Significa entender a metáfora que ela sempre contém" (2005, p. 252), e ainda no artigo linguagem, arte cultura e texto (1986), em que afirma haver "[...] Uma dimensão retórica em qualquer obra de arte em consequência do intercâmbio entre conteúdo e modo de apresentação" (2014, p. 115). Nesses casos já fica evidente a intuição do autor de que, por maior que seja seu débito para com a semântica fregeana, o processo de compreensão de uma obra de arte ultrapassa-a e resvala constantemente naquilo que Charles Morris chamou de dimensão pragmática. Esse direcionamento fica explícito em o abuso da beleza (2003), quando Danto recorre justo ao autor de fundamentos da teoria dos signos (1938) para registrar, além de propriedades semânticas nas obras de arte, também propriedades pragmáticas. "em certo sentido, propriedades pragmáticas correspondem ao que frege chama de "coloração" - Farbung [...]" (Danto, 2015, p. XV). Além disso, poderíamos também associar com a noção de força ilocucionária proposta por J. L. Austin em sua teoria dos atos de fala, ou com a intuição austiniana em torno da noção mais ampla de performatividade. No entanto, essa tradição parece ter certas limitações quanto a fins artísticos pois, para Austin, vemos os usos estéticos e poéticos relegados à condição de uso não sério ou parasitário da linguagem. A performatividade tratada pela teoria dos atos de fala está totalmente relacionada com narrativas textuais. Nesse sentido, para pensar outras mídias, não necessariamente textuais, como detentoras de um potencial performativo precisaríamos recorrer a um tratamento deste conceito tal como aquele elaborado por Erika Fischer-Lichte em Estética de lo Performativo (2004). A autora, em busca de construir uma teoria estética que permita pensar o conceito de aufführung, para além das dicotomias usuais entre sujeito e objeto e das fragmentações entre a perspectiva da produção, recepção e obra de arte, recorre não apenas a Austin, mas também a Judith Butler (performative acts and gender constitution, 1988). Para ambos a realização de atos performativos seria uma espécie de performance ritualizada e pública, como se existisse "uma estreita e evidente relação entre performatividade e performance" (Fischer-Lichte, 2017, p. 58, tradução minha). Assim, a ideia por trás dessa comunicação é lançar algumas possibilidades de interação entre estética e pragmática, por meio do conceito de performatividade, tanto do ponto de vista textual quanto corporificado a fim de entender os mecanismos de produção de sentido de acontecimentos artísticos.

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CT III
24/10/2018
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