Uma análise da prova da existência da matéria aristotélica contida no livro Lambda Show all records where Título is equal to Uma análise da prova da existência da matéria aristotélica contida no livro Lambda
Alcides Devides Moreno Show all records where Autor is equal to Alcides Devides Moreno
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Propomos investigar uma parte importante do projeto ontológico de Aristóteles, analisando a prova da existência da matéria, contida ao final do primeiro capítulo do livro lambda da metafísica. Nesse sentido, tentaremos oferecer uma leitura, o mais sólida possível, do trecho que vai de 1069b 3 até 1069b 9. Primeiramente, poderíamos situar o início da ontologia aristotélica a partir do tratado das categorias, é nessa obra que a substância aparece como sendo a parte mais fundamental do ser “a substância é dita a dominante, a primeira e a principal” (Tratado das Categorias 2a 11-12). Em seguida, poderíamos entender o livro lambda da metafísica, como uma continuidade desse projeto, no qual a substância ainda ocupará uma posição fundamental. No início de Lambda um, por exemplo, a substância aparece como sendo a primeira parte do todo (Metafísica 1069a 21). No entanto, enquanto no tratado das categorias, as substâncias parecem ser tomadas como sendo indivíduos não analisáveis, quer dizer, parecem ser os próprios indivíduos a parte mais fundamental do ser; no livro lambda da metafísica, as substâncias ainda são indivíduos, mas agora, esses indivíduos, compreendidos como compostos de forma e matéria, são seres analisáveis. Assim, embora possamos pensar em uma continuidade de um e outro projeto, o Livro Lambda da Metafísica irá propor uma investigação dos princípios e das causas da substância e, portanto, poderíamos dizer, será proposta uma análise da substância, na qual, talvez, será possível encontrar princípios e causas do ser, ainda mais fundamentais que a própria substância. Nesse sentido, a prova da existência da matéria parece ser oferecida, justamente, como um primeiro resultado dessa investigação dos princípios da substância, na verdade, por enquanto, apenas da substância sensível. Dito isso, tentaremos investigar sobre esse princípio, a matéria, a partir do modo pelo qual a prova da sua existência é oferecida. Em primeiro lugar, pretendemos mostrar que o termo μεταβλητή (“mudança de condição”), usado para qualificar a substância sensível no início dessa prova, já parece indicar que será revelado aquilo que na substância sensível sofre a ação da mudança e que, portanto, o princípio revelado com essa prova irá se referir a um aspecto mais passivo da substância sensível. Depois disso, tentaremos mostrar que a diferenciação estabelecida entre “opostos” e “intermediários aos opostos” pode estar se referindo a dois modos de se compreender as qualidades. Em seguida, tentaremos compreender uma outra diferenciação feita pelo texto, agora entre opostos e contrários, para isso nos concentraremos na análise do exemplo oferecido de que a voz é um não branco. Na sequência, depois de analisada a premissa de que a mudança ocorre a partir de contrários, trataremos da consequência que se extrai dela de que é necessário subsistir algo do mudar para o contrário. Mas, mostraremos logo em seguida, que essa consequência, por si apenas, não introduz um terceiro termo além dos contrários e, portanto, é preciso ainda mais um passo para que a prova da existência desse terceiro termo, a matéria, seja dada. Acreditamos que o próximo movimento do texto, que permitirá, em fim, concluir o argumento com a prova da existência da matéria, consistirá em uma sútil diferença estabelecida entre os verbos Ὑπεῖναί (“subsistir”) e Ὑπομένει (“permanecer”). Com isso, teremos provada, então, a existência de um dos princípios da substância sensível e, a partir de uma análise cuidadosa dessa prova, como indicamos acima, talvez nos possa ser revelado algum dado fundamental para compreensão do projeto ontológico aristotélico e, portanto, talvez possamos saber também algo a mais sobre o debate maior na antiguidade, no qual esse projeto aristotélico parece se inserir, a questão a respeito do que seja o ser.

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IC 3
24/10/2018
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