Uma difícil aproximação: esboços, sombras e sinais da presença cartesiana na filosofia de Merleau-Ponty Show all records where Título is equal to Uma difícil aproximação: esboços, sombras e sinais da presença cartesiana na filosofia de Merleau-Ponty
José Marcelo Siviero Show all records where Autor is equal to José Marcelo Siviero
USP Show all records where Instituição is equal to USP

Trata-se dum recenseamento, a partir dos primeiros capítulos do curso sobre a natureza (La Nature) e também das notas de trabalho anexadas a o visível e o invisível, da presença cartesiana nos escritos e reflexões Merleau-Pontyanas, nos quais se observa uma crítica das leituras e pressupostos que orientaram sua filosofia primeira e a consequente preparação dos primeiros passos da ontologia tardia de suas últimas obras. Nele, observa-se duas abordagens diferentes da letra cartesiana, que a princípio parecem contraditórias: a abordagem a partir da infinitude de deus em relação ao homem e a confusão entre a alma e o corpo. A partir duma crítica da leitura de Gueroult, Merleau-Ponty vislumbra, no curso do Collège De France, a necessidade dum conceito renovado de natureza que não ceda às dicotomias suscitadas pelo pensamento cartesiano. Em suas leituras que perpassam também as filosofias de Leibniz, Espinosa e Malebranche, Merleau-Ponty acusa um regime de ambivalência que atravessa toda a filosofia de descartes, mas não busca criticá-la e nem mesmo apontar suas insuficiências; o objetivo de seu curso é, num primeiro estágio ainda marcado pela reconstituição histórica do conceito de natureza, investigar qual é a maneira, o método e, lançando mão do jargão fenomenológico, a intencionalidade subjacente à maneira como descartes interroga o problema originário da natureza e como busca formular suas respostas aos impasses suscitados. Num segundo momento, ao se analisar os fragmentos em que descartes é referenciado nas notas de preparação de o visível e o invisível, descobre-se que uma ruptura entre os dois pensamentos é iminente, mas nunca ocorre: embora o descartes metódico e fiador da luz natural não permita quaisquer dúvidas e afaste o pensamento confuso, é a esse silêncio cartesiano acerca da confusão, essa dimensão anterior à clareza e à distinção, segundo Merleau-Ponty, que se deve endereçar as perguntas sobre a questão da natureza e a circularidade entre corpo e alma. Nossa comunicação visa a compreender essa tessitura, analisar seu alcance e determinar em que medida e com quais intenções se engendrou a teia conceitual que sustenta e retroalimento os dois pensamentos.

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24/10/2018
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