Uma visão cética do conhecimento Show all records where Título is equal to Uma visão cética do conhecimento
Jefferson dos Santos Marcondes Leite Show all records where Autor is equal to Jefferson dos Santos Marcondes Leite
UNIFESP Show all records where Instituição is equal to UNIFESP

Robert Fogelin inaugura em suas reflexões pirrônicas sobre conhecimento e justificação uma nova abordagem sobre o conhecimento proposicional, mais especificamente sobre os famosos casos Gettier, oferecendo, por um lado, uma solução neopirrônica para os contraexemplos de Gettier e seus descendentes e, por outro lado, oferecendo um diagnóstico do porquê as tentativas de respostas aos contraexemplos gettierianos tem a forma que tem, o que significa apontar o motivo das mesmas fracassarem ao longo das últimas décadas. Para que possamos entender nossas afirmações de conhecimento — seguindo o mesmo tipo de descrição filosófica empregada pelos pirrônicos antigos (esboços pirrônicos, 1.4; 1.15; 1.197; 1.203; 1.208) e por Wittgenstein (investigações filosóficas, §109; §124; §126; §131 e §132), característica marcante no escrito de Fogelin — é preciso que o modelo tradicional concebido como crença verdadeira justificada seja atualizado, ou, se quisermos, reforçado. Para tanto, Fogelin indica dois aspectos essenciais que a cláusula da justificação precisa ter (entendendo que os casos Gettier problematizam justamente essa cláusula em geral): ela deve ser entendida tanto do ponto de vista da responsabilidade do agente epistêmico (IIId) quanto do ponto de vista das razões adequadas ou razões conclusivas (IIIr). Com a correção feita, parece possível vermos quando uma pessoa sabe alguma coisa e quando não sabe, sendo isso uma afirmação apenas factual. Vemos que a tensão toda se desenrola a partir do momento que deixamos essas duas cláusulas se separarem. Ou seja, para afirmar que alguém sabe alguma coisa é preciso que (IIId) e (IIIr) estejam presentes ao mesmo tempo. A partir dessa análise, Fogelin nos apresenta seu principal argumento cético neopirrônico relativo ao conhecimento proposicional, a saber, a noção de “níveis de escrutínio”. Considera-se principal uma vez que esse argumento é posto pela primeira vez por Fogelin, diferente dos modos de Agripa que, embora recebam uma nova roupagem e aplicação por parte de Fogelin, são herdados da genialidade dos antigos pirrônicos. Assim, sempre que empregamos uma afirmação de conhecimento, seja ela qual for, sempre a fazemos sem eliminar todas as possibilidades revogadoras remotas existentes. Mas quando nos detemos sobre essas possibilidades, o que encontramos no cenário epistêmico é que quase sempre estaremos dispostos a abrir mão do que antes considerávamos conhecimento. Portanto, para que possamos introduzir o desafio neopirrônico, basta apenas lembrarmos dos revogadores remotos. Por que isso ocorre? Por dois motivos: primeiro, o neopirrônico percebeu que o aumento dos níveis de escrutínio pertence aos nossos procedimentos justificatórios comuns; segundo, os filósofos tem a tendência a elevar o nível de escrutínio e deixa-lo solto ao seu bel prazer quando fazem epistemologia, o que por vezes torna uma teoria epistemológica um equivalente ao ceticismo radical. portanto, cabe-nos questionar, do ponto de vista do epistemólogo neopirrônico contemporâneo, nós sabemos ou não? Que tipo de teoria epistemológica um neopirrônico pode praticar? Discute-se aqui a viabilidade dessa abordagem filosófica.

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Dia 25 | Quinta | Sala 11 D |10:45-11:15
IC 4
25/10/2018
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