Uma proposição macintyreana para a bioética global: os paradigmas bioéticos como tradições de pesquisa racional Show all records where Título is equal to Uma proposição macintyreana para a bioética global: os paradigmas bioéticos como tradições de pesquisa racional
Hilton Wzorek Show all records where Autor is equal to Hilton Wzorek
UFMG Show all records where Instituição is equal to UFMG

A Bioética global possui como marco exordial a Universal Declaration on Bioethics and Human Rights (2005). Este novo estágio da Bioética é caraterizado pela natureza transfronteiriça dos dilemas, uma vez que procedimentos juridicamente ilícitos em determinada região encontram amparo legal em outra, e pelo crescimento exponencial de paradigmas hermenêutico-axiológicos. Neste cenário os consensos sobre conteúdos éticos substantivos são tão necessários quanto complexos – ou inexequíveis, segundo alguns teóricos. As agendas para a consecução destes na Bioética global estão delineadas, de modo geral, entre a possibilidade de um domínio universal e neutro, como o mercado, e a admissão das estruturas particulares de crenças e valores cerceadas por um mínimo moral, como os direitos humanos. No entanto, da perspectiva da argumentação sistemática de Alasdair MacIntyre, ambas as alternativas coadunam com o simulacro que é a linguagem moral contemporânea e seriam, portanto, insatisfatórias. A primeira em razão do fracasso iluminista na constituição de um quadro axiológico universal, do qual todos os matizes são apenas faces diversas de um mesmo insucesso, cuja pretensão tão somente presta-se a velar uma vontade de poder particular. A segunda em função do caráter ficcional dos direitos humanos, dado que estes não encontram qualquer justificação plausível. A filosofia macintyreana parece dispor ainda à Bioética global de uma possível pars construens, a qual residiria na atribuição do estatuto epistemológico da tradição de pesquisa racional aos paradigmas bioéticos. Tais tradições compreendem uma continuidade argumentativa estendida no tempo por membros de uma comunidade particular, dinamizada pelos conflitos e as decorrentes crises epistemológicas. Estas estruturas incomensuráveis constituem o lócus da racionalidade, apenas nelas são possíveis práticas e discussões morais coerentes. Assim, retroagindo até as premissas fundamentais de argumentações rivais, como o valor da autodeterminação do indivíduo no mercado e o Ubunto (expressão africana, traduzida como eu sou porque nós somos), não é possível sopesar qual seria racionalmente superior. Apenas pela inserção destas em suas respectivas tradições e pelo encontro histórico-dialético entre ambas seria exequível determinar qual a melhor até o presente momento. O encadeamento argumentativo da exposição aqui proposta será estruturado em três momentos: (I) a natureza da Bioética global; (II) o conceito macintyreano de tradição de pesquisa racional; (III) os paradigmas bioéticos como tradições. Na bibliografia figurarão, mormente, as obras sistemáticas de MacIntyre e de bioeticistas como Henk ten Have e Engelhardt. Assim, a inquirição intenciona demonstrar as condições de possibilidade para a construção de consensos racionais em Bioética global e, desta forma, delinear uma consistente alternativa para este que deve ser o dilema nodal do recente estágio bioético em seu ainda longo caminho de amadurecimento.

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Dia 25 | Quinta| Sala 10 |15:00-15:30
IC 3
25/10/2018
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