A abordagem das capacidades e as práticas de beleza feminina. Show all records where Título is equal to A abordagem das capacidades e as práticas de beleza feminina.
Olivia Maria Klem Dias Show all records where Autor is equal to Olivia Maria Klem Dias
UFRJ/PPGLM Show all records where Instituição is equal to UFRJ/PPGLM

No presente trabalho, pretendemos utilizar a abordagem das capacidades de Amartya Sen, tal como apresentada em seu livro The Idea of Justice, para pensar as práticas de beleza femininas no Ocidente. Defenderemos que tais práticas não exprimem a capacidade de escolha e determinação das mulheres sobre seus corpos, mas uma forma de subordinação e opressão. As capacidades, segundo Sen, são as possibilidades reais que uma pessoa possui de ser livre para ser ou para fazer aquilo que ela tem razões para desejar ser ou fazer. A partir do pensamento de Sheila Jeffreys, teórica e ativista feminista, expresso em seu livro Beauty and Misogyny. harmful cultural practices in the West, especificaremos ao que nos referimos quando falamos em práticas de beleza ocidentais, procurando demonstrar o motivo pelo qual tais práticas devem ser consideradas políticas, sendo assim, relevantes para a discussão da desigualdade social entre homens e mulheres. Para todos os aspectos do rosto e do corpo de uma mulher existe um produto, um procedimento cirúrgico que pode melhorá-lo. Frente ao modelo do corpo feminino perfeito desenhado pelo mercado da beleza e da moda, as mulheres estão sempre insatisfeitas. Deste modo, os corpos femininos reais são tornados permanentemente imperfeitos, o que faz com que as mulheres recorram a esse mercado para modificá-los na tentativa permanente e jamais satisfeita de alcançar a perfeição estética. É nesse contexto, que as decisões das mulheres em se engajarem nas práticas de beleza são tomadas. Esse contexto não é irrelevante para esta decisão. A abordagem das capacidades de Sen é adequada para a presente investigação, pois ela é um quadro teórico – framework – que nos proporciona um outro olhar sobre a forma de avaliar a justiça e a injustiça social, bem como as vantagens e desvantagens pessoais dos indivíduos. Levando em consideração a abordagem das capacidades quando estamos pensando as práticas ocidentais de beleza impostas às mulheres, duas questões devem ser colocadas: 1- De onde vem o desejo das mulheres de submeterem seus corpos às práticas de beleza?; e 2- O que acontece com as mulheres que escolhem não se submeter a esses padrões? Como elas passam a ser vistas e tratadas pela sociedade? Respondendo a estas perguntas, argumentaremos que as mulheres, dentro da sociedade patriarcal, não gozam efetivamente das capacidades, ou das oportunidades reais, para alcançar os funcionamentos que elas têm razões para valorizar – em se tratando do modo como lidam com sua aparência. Ao falarmos em funcionamentos nos referimos aos resultados que uma pessoa é capaz de alcançar por meio de suas capacidades. Portanto, procuramos demonstrar que estão prejudicados para as mulheres, no que diz respeito à relação que elas estabelecem com a própria aparência, os aspectos da oportunidade e da escolha que são os principais fatores que levam as pessoas a valorizarem sua liberdade.

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Dia 25 | Quinta | Sala Auditório |15:00-15:30
IC 2
25/10/2018
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