Vicissitudes estéticas da história da arte: o clássico como construção Show all records where Título is equal to Vicissitudes estéticas da história da arte: o clássico como construção
Pedro Fernandes Galé Show all records where Autor is equal to Pedro Fernandes Galé
USP Show all records where Instituição is equal to USP

A partir de suas mais remotas fontes, a saber, Plínio o velho e Pausânidas, a história da arte clássica se fez de modo coerente com um viés que permaneceu, em grande parte, pouco alterado por muitos séculos e permearam toda retomada da antiguidade ocorrida a partir do século XIV. Isso se deve em grande parte pelo fato de que as fontes clássicas supracitadas sejam coincidentes com os juízos estéticos de autores como Ghiberti, Vasari e Winckelmann. Essas fontes tardias das artes na antiguidade, a história natural, de Plínio e a Periegesis de Pausânias, refletem uma série de tópicas do tardo helenismo, quando na Grécia, em franco declínio econômico, se formou uma forte inclinação à volta ao passado luminoso, o passado de Péricles e de Fídias. A retomada moderna dessa tópica clássica, que tem em Winckelmann seu principal agente, tem lugar privilegiado no campo da disciplina filosófica nascente da estética. E é exatamente a partir de critérios estéticos gerados no final século XVII, a partir de autores que refletem o tardo helenismo de suas fontes, que a história da arte se colocou como um entrave para descobertas e teorias arqueológicas que levem em consideração a figuração dita clássica na esteira do material coletado. A adoção de Winckelmann de um critério estilístico marcou a estética nascente de tal modo que a retomada desses aspectos estéticos se viu transformada, desmembrada, enriquecida e ampliada mas poucas vezes questionada. Esse critério estético de Winckelmann, tão admirável por ter libertado a história da arte da antiquária, perdurou no horizonte do pensamento filosófico das artes e até mesmo no discurso histórico acerca delas a ponto de se colocar em choque com a evidência material (algo que o autor mesmo da história da arte da antiguidade condenaria). A retomada desse aspecto estético que foi apresentado por Winckelmann como a “nobre simplicidade e grandeza serena” se colocou de tal maneira como critério de observação das obras antigas que quando, no início do século XIX, Lord Elgin levou à Inglaterra mármores retirados do templo máximo de Atenas, o Partenon, que segundo as fontes era obra executada sob a direção de Fídias, todos os arqueólogos e pensadores das artes lhe negaram que tais obras tivessem ligação com o escultor considerado o maior expoente da arte grega clássica. Tais obras não poderiam ser, segundo os especialistas do período, daquele que Plínio descreveu como uma espécie de ápice da escultura grega. Duvidaram até mesmo que fossem obras gregas, atribuindo-lhes a origem em restaurações romanas. O que pretendemos apresentar é a reinvenção e os problemas dessa retomada dos critérios estéticos nas disciplinas da história da arte e da estética posterior a Winckelmann e as alternativas a esse discurso que ganharam corpo a partir do século XX. A presença de Winckelmann e sua crítica são etapas cruciais da demarcação sempre pouco nítida da linha fronteiriça que separa história da arte, arqueologia e estética.

Estética Buscar Grupo igual a Estética
Dia 25 | Quinta | Sala Auditório |11:15-11:45
CT III
25/10/2018
FaLang translation system by Faboba