Um refinado barbarismo: formas de vida e saúde em nietzsche Show all records where Título is equal to Um refinado barbarismo: formas de vida e saúde em nietzsche
Lara Pimentel Figueira Anastacio Show all records where Autor is equal to Lara Pimentel Figueira Anastacio
USP Show all records where Instituição is equal to USP

"Será que, afirmando seriamente que a saúde perfeita não existe e que por conseguinte a doença não poderia ser definida, os médicos perceberam que estavam ressuscitando pura e simplesmente o problema da existência da perfeição e o argumento ontológico?" a pergunta, feita por Canguilhem em um dos artigos que compõem "o normal e o patológico", é guia para nossa proposta de trabalho sobre o problema da saúde em Nietzsche.a interrogação sobre a "vontade de saúde", presente no aforismo 120 de a gaia ciência, critica o princípio da conservação de si tomado como fim de todo indivíduo vivo. Nietzsche questiona esse princípio por meio de uma reflexão sobre a saúde e a doença que oferece, como contraponto, um pensamento que conecta o fenômeno patológico à vida ao incluí-lo às formas próprias de cada individualidade orgânica. A doença deve deixar de ser compreendida como algo que visa comprometer a vida em favor de uma concepção que a compreende como fenômeno que é parte e se articula com os processos fisiológicos. O estado patológico não deve ser associado a um mal absoluto, e assim Nietzsche preocupa-se em criticar o conceito essencialista de doença, entendido como algo que ataca a vida, em favor de uma reflexão sobre a criação de diferentes formas de vida: ser doente é viver de outra forma. A doença não é mais um acontecimento ou uma natureza importada do exterior, é a vida se modificando em suas funções, como um desvio: a doença deixa de ser sinônimo de desordem para ser outro modo de organização de fenômenos.a intenção do trabalho é retomar o modo como Nietzsche fundamenta seu pensamento sobre a saúde e a doença tomando como referência o problema análogo da ideia de perfeição na tradição metafísica: a partir da prova da existência do ser perfeito e de sua qualidade de ser perfeito, ele também teria a capacidade de criar sua própria existência. Para Nietzsche, no entanto, a crítica da saúde ideal não está diretamente conectada com o problema da existência, mas sim indiretamente. Se Nietzsche interpreta a problemática da saúde e da doença a partir da diferença de grau e não como objetos heterogêneos, a ideia da existência efetiva da saúde, como indica Canguilhem, possui lógica semelhante, porém com o afastamento do seu caráter ontológico no caso nietzschiano: ao questionar a noção de saúde ideal, portanto, Nietzsche afirma, como consequência, que uma norma não existe enquanto realidade, mas apenas desempenha a função de desvalorizar certo modo de existência para permitir sua correção. Dizer que a saúde perfeita não existe é, em outros termos, dizer que o conceito de saúde não é o de uma existência, não é da ordem do ontológico, mas o de uma norma cuja função e cujo valor é relacionar essa norma com a realidade a fim de modificá-la - daí a proposta de "grande saúde" em Nietzsche, ideia cuja função valorativa também será abordada no trabalho a partir das conclusões apresentadas.

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25/10/2018
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