Uma análise do conceito de emergência como relação metafísica de dependência e irredutibilidade Show all records where Título is equal to Uma análise do conceito de emergência como relação metafísica de dependência e irredutibilidade
Ana Maria Correa Moreira Da Silva Show all records where Autor is equal to Ana Maria Correa Moreira Da Silva
PUC-RIO Show all records where Instituição is equal to PUC-RIO

Em geral, uma relação de emergência se estabelece entre duas entidades – um emergente a e sua base de emergência b –, de modo que a depende de b, mas a é irredutível a b. Se considerarmos a como um todo e b como as partes desse todo, temos a máxima clássica de que o todo é mais do que a soma de suas partes. Por exemplo, no campo da biologia, uma célula é composta por moléculas, sendo dependente dessa base de emergência, mas, ao mesmo tempo, possuindo propriedades irredutíveis às propriedades dessa base.Embora as relações de emergência sejam em geral concebidas mereologicamente (entre um todo e suas partes), elas podem ser concebidas de forma mais ampla, como a emergência da mente a partir do corpo, a emergência de propriedades estéticas a partir de sua base material, a emergência de valores morais a partir de fatos, etc. O conceito de emergência não é unívoco, mas sua ideia subjacente é a de um processo evolutivo e hierárquico de crescente complexificação no universo, cujos resultados não podem ser previstos e cujo fim não parece existir.O conceito de emergência tem sido amplamente discutido nas últimas décadas, nas mais diversas áreas da filosofia e da ciência, para lançar uma luz nova sobre velhos e intrincados problemas, como o surgimento da vida a partir da matéria, o aparecimento da consciência a partir da vida, entre muitos outros. No campo da filosofia da mente, o conceito de emergência se revela como uma terceira via frente à dicotomia entre monismo reducionista (fisicalista) e dualismo anti-reducionista (de origem cartesiana), aparecendo muitas vezes como um monismo anti-reducionista. Neste sentido, diversos autores defendem a emergência da consciência a partir do cérebro, do qual depende, mas ao qual não se reduz.O objetivo deste trabalho é analisar o conceito de emergência de um ponto de vista metafísico, com ênfase na natureza das relações de emergência entre seus diferentes relata, que podem ser indivíduos, propriedades e processos. Partiremos da distinção entre emergência forte e emergência fraca, para investigar algumas consequências ontológicas, epistêmicas e causais da adoção dessas posições. Refletiremos também sobre a diferença entre emergência sincrônica e emergência diacrônica, a qual responde pelos aspectos distintos das relações de dependência e irredutibilidade presentes em cada caso. Se a emergência sincrônica possui semelhança com a noção de superveniência, a emergência diacrônica parece mais próxima da noção de causalidade. Podemos afirmar que o debate sobre o emergentismo está apenas começando, mas, para muitos, ele é fundamental para se avançar no tratamento de algumas questões metafísicas por excelência. Enquanto alguns autores defendem a “emergência de tudo” (Harold j. Morowitz, 2002), outros falam de uma “re-emergência da emergência” (Philip Clayton e Paul Davies, 2006), e nossa proposta aqui é refletir um pouco sobre esse conceito tão rico.

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25/10/2018
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