Diretrizes para a Coluna Anpof

A Coluna Anpof tem como objetivo a publicação de artigos e ensaios produzidos pela comunidade filosófica que, além de dar visibilidade às pesquisas realizadas nas mais diversas áreas, busquem dialogar com questões contemporâneas a fim de contribuir para o debate público. Também são aceitos textos de homenagem, resenhas e traduções. 

As submissões devem ser feitas em língua portuguesa com extensão entre 500 e 1500 palavras. Os textos devem ser inéditos e podem ser produzidos por qualquer pessoa que pertença ou tenha pertencido a algum programa de pós-graduação brasileiro, contemplando estudantes de mestrado e doutorado. 

Ocasionalmente, os textos submetidos à Coluna Anpof podem ser divulgados, com a permissão das autoras e autores, no Estado da Arte ou no Le Monde Diplomatique Brasil, veículos com os quais temos parceria.

Os textos podem ser submetidos pelo email: comunicacao@anpof.org.br, indicando no campo "assunto": Submissão para a coluna anpof.

Será avaliada apenas a versão final do texto.

A área Ensino de Filosofia nos cursos de licenciatura em Filosofia: um estudo preliminar (1)

Dr. Christian Lindberg L. do Nascimento (2)

Os pesquisadores em Ensino de Filosofia não sabem, do ponto de vista da estrutura acadêmica brasileira, seu verdadeiro local. Em alguns casos, são lotados nos Departamentos de Filosofia, em outros, no Departamento de Educação ou similares. Como se sabe, no âmbito das linhas de pesquisa da CAPES, ela não figura na área Filosofia, muito menos na Educação. Esta situação impacta na identidade da área de conhecimento Ensino de Filosofia.

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Estamos imunes ao autoritarismo? Notas sobre o ensino de filosofia

 
Frederik Moreira dos Santos –
Docente da UFRB/CETENS – Licenciatura em Educação do Campo
Doutor em Ensino, Filosofia e História das Ciências pelo PPGEFHC-UFBA/UEFS
Membro do Centro de Estudos de Dewey e Pragmatismo, e do Grupo de Pesquisa
Poética Pragmática – UFBA

 

Estamos vivendo tempos de tensões provavelmente irreversíveis entre modos de vida social. De um lado grupos querendo polarizar o debate político e, de outro, grupos buscam ser ouvidos para que suas subjetividades na forma de ser e agir possam ser garantidas. Tal debate sugou o interesse na construção de políticas públicas educacionais que impactam a própria política escolar. Um exemplo recente deste tipo de cooptação foi o projeto político-educacional chamado: Escola Sem Partido. Discutirei duas principais questões nesta apresentação: 1) O conflito de crenças, na educação filosófica, seriam uma barreira para a sua aprendizagem? 2) Quais mudanças cognitivas poderíamos esperar? Mostrarei que apesar do problema da mudança de crença, na construção de conhecimento, não adquirir tanta relevância na aula de filosofia, o fantasma da mentalidade autoritária (TEIXEIRA, POLO 1975; LIMA et al. 2020) assombra o avanço da troca intelectual interdisciplinar. Defenderei que este fantasma é que deveria ser o alvo, de qualquer política educacional, para ser exorcizado.

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O que resta da crítica estrutural?

Filipe Campello 1

 

O que mais chocou Hannah Arendt quando, a convite da The New Yorker, cobria em 1963 o julgamento de Eichmann foi a incapacidade dos responsáveis pela barbárie do holocausto de pensar. Como seria possível que todos aqueles oficiais nazistas alegassem que estavam apenas seguindo regras, por mais absurdas e cruéis que fossem? E, se estavam obedecendo ordens, até que ponto seriam culpados?

Arendt estava presenciando naqueles dias em Jerusalém uma pergunta que muitos alemães se fizeram após o fim da guerra. Foi a questão que, em 1946, ainda no calor dos acontecimentos, durante o tribunal de Nüremberg, o filósofo e psiquiatra Karl Jaspers, um dos principais mentores e depois grande amigo de Arendt, se coloca no livro “A questão da culpa”. Indo além do sentido de culpa estritamente penal, Jaspers traz um sentido também moral ligado à responsabilidade que temos perante nossos atos. “Eu, que não posso agir de outro modo a não ser como indivíduo”, escreve Jaspers, “sou moralmente responsável pelos meus atos, incluindo a execução de ordens militares e políticas. Não é simplesmente verdade que ‘ordens são ordens’”.

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Nietzsche pragmatista: uma antiga novidade

 
André Luis Mota Itaparica - Professor da UFRB/PPGF-UFBA
Membro do Grupo de Estudos Nietzsche e do Poética Pragmática

 

 “Sem dúvida, será uma interessante surpresa para muitos pragmatistas americanos e ingleses descobrir que Nietzsche antecipou todas as suas principais doutrinas”. Esta frase poderia estar num ensaio de pragmatistas contemporâneos afeitos ao filósofo alemão, como Richard Rorty ou José Crisóstomo de Souza. Mas ela provém de um artigo de 1909, “Friedrich Nietzsche, Antichrist, Superman, and Pragmatist”, escrito por John M. Warbeke para a Harvard Theological Review. De fato, o pragmatismo, como o advento de uma escola exclusivamente americana, é só mais um mito fundador que não resiste ao calor dos fatos históricos e à frieza dos conceitos. Em 1911, para dar outro exemplo, René Berthelot publicou Un Romantisme Utilitaire: Étude sur le Mouvement Pragmatiste, no qual Nietzsche desempenha um papel importantíssimo.

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PANDEMIA E EDUCAÇÃO ON-LINE: CONTRA A DESPROFESSORALIZAÇÃO E A AUTOMAÇÃO DO ENSINO

 
Jelson Oliveira é professor do programa de pós-graduação
em Filosofia da PUCPR; membro do GT Hans Jonas e coordenador do GT de
Filosofia da Tecnologia e da Técnica da ANPOF.
 

 A história da educação on-line remete a meados do século passado quando começaram a ser desenvolvidos cursos que aproveitassem os novos equipamentos tecnológicos para oferecer outras possibilidades de acesso à educação. O início mais ou menos frustrante do projeto foi contornado, a partir de 1980, pelo processo acelerado de apropriação por parte das empresas capitalistas neoliberais que viram na educação on- line uma chance de obter lucros, principalmente por meio de dois aspectos conjugados: a desprofessoralização (que é também uma desprofissionalização) e a automatizaçãodos processos. A consequência todos conhecemos: a ideia de utilizar a tecnologia para oferecer aulas como se fossem programas de audiência de massa, com baixo custo, sem interação e com docentes despreparados (e não raro resistentes) para as novas tarefas, acabou gerando muita desconfiança em relação a esse modelo, principalmente devido à baixa qualidade das ofertas.

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Uma Agenda para a Filosofia no Brasil - Horizonte de um Projeto Coletivo

Profs. Ivan Domingues (UFMG) e Luis Fellipe Garcia(UFMG)

Uma questão que acompanha reflexão filosófica desde os seus primórdios é: o que é a filosofia? Desde a filosofia antiga, quando se contrapunha uma concepção de filosofia ligada à contemplação do ser a uma ideia de filosofia como modo de vida, discute-se em que consiste essa prática à qual consagramos nossas energias intelectuais e vitais. Seja contemplação ou modo de vida, a filosofia é certamente um acontecimento cultural fruto da circulação e diversidade de ideias, como o atesta a sua origem no Mediterrâneo, onde estímulos intelectuais de três continentes transitavam promovendo o encontro de ideias oriundas do oeste asiático, do Egito e da Grécia. Em um mundo como o de hoje, onde pensamentos das mais diferentes origens têm circulado cada vez mais e se mostrado sempre mais presentes no horizonte de produção do saber, a filosofia inicia, por toda parte, um processo pelo qual ela se debruça mais sistematicamente sobre essa realidade intercultural.

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Ações afirmativas e cotas: as peças se movem no tabuleiro

Prof. Dr. Fernando de Sá Moreira

Há quase duas décadas, as ações afirmativas se tornavam uma grande questão de debate público no país, em especial quando se apresentaram na forma de cotas étnico-raciais de acesso à graduação nas universidades estaduais e federais. É verdade que debates sobre elas já existiam. A depender da definição, é possível encontrar propostas de descriminação positiva no Brasil desde, no mínimo, o abolicionismo do século 19. No entanto, o nível de atenção pública atingido pelo tema nos primeiros anos do século 21 foi inédito.

De acordo com um estudo de 2015 dos pesquisadores João Feres Júnior e Verônica Toste Daflon, considerando apenas os jornais O Globo e Folha de S. Paulo, foram publicadas mais de duas mil matérias sobre ações afirmativas entre 2001 e 2012. Esse surto de interesse foi claramente motivado inicialmente pela implantação de cotas sociais e raciais expressivas na UERJ, UENF, UNEB e UnB; e, posteriormente, pelas demais políticas afirmativas em mais de 120 universidades e institutos federais pelo país.

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Ceticismo e pandemia: verdade, ciência e política

Marcelo de Oliveira
Mestre em Filosofia Moderna (UFMG) e Philosophie et Epistémologie
(Université de Lorraine) marcelofonsecardeoliveira@gmail.com

 

Se a verdade, mesmo que única, dependa, em boa medida, das perguntas que encaminharão a pesquisa até a sua descoberta; parece certo afirmar que, desde o rompimento desta pandemia, poucos foram aqueles que colocaram as perguntas certas. Alguns âmbitos que são a chave para o esclarecimento desta doença não foram sequer mencionados. A impressão de que o ‘acidente’ poderia ter sido evitado não é mais absurda do que a repetição embrutecida da fórmula monocórdia ‘fique em casa’.

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Neutralidade é um lugar que não existe

 
Carla Rodrigues é professora de Ética no Departamento de Filosofia da UFRJ,
Pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Filosofia e bolsista de produtividade da Faperj.

 

Sou branca e fui criada como branca. Mais do que isso, fui educada para saber identificar os fenótipos das pessoas negras, de modo a estabelecer rigorosas distinções entre pessoas brancas, pessoas então chamadas de “mulatas” e pessoas negras. Cresci aprendendo que pessoas negras são sujas e que a cor preta estava associada ao nojo, ao abjeto. Na escola progressista em que estudei, havia apenas duas pessoas negras, ambas filhas de funcionários. Durante décadas, escutei a exaltação dos ancestrais portugueses e italianos, que nos legaram pele branca, cabelos lisos e, no meu caso, olhos azuis, joia rara na família e objeto de disputa como  signo da herança materna portuguesa ou da herança paterna italiana.

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Redes sociais: lucrando com as nossas “tretas”

Érico Andrade
ericoandrade@gmail.com
Filósofo, psicanalista em formação, professor da Universidade Federal de Pernambuco

 

O lucro anual do Facebook, Instagram e Twitter juntos passa de dezenas de bilhões de dólares. Certamente esse lucro deve ter um incremento neste ano de pandemia em que estamos mais confinados ao mundo virtual. Essas cifras são importantes para explicitar o óbvio, mas que ainda precisa ser dito. Essas empresas lucram e operam com a lógica – racionalidade – capitalista. E a forma delas lucrarem nos envolve diretamente. Elas lucram com os nossos posts, fotos, mas também e sobretudo com as nossas “tretas”, cancelamentos e momentos de celebridade.

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