A posição comum da Comissão Organizadora da ANPOF Ensino Médio
Eduardo Barra, Érico Andrade, Filipe Ceppas, Gisele Secco, José Leonardo Ruivo, Marcelo Guimarães, Marta Alencar, Patrícia Velasco
UFPR, UFPE, UFRJ, UFRGS, PUCRS, Unirio, USP, UFABC
13 Jul 2014

Neste ano, ocorrerá a segunda edição do Encontro da ANPOF do Ensino Médio (ANPOF_EM) – nome pelo qual ficou conhecido o segmento da programação do Encontro Nacional de Filosofia dedicado aos professores do ensino médio. A edição inaugural da ANPOF_EM ocorreu em 2012. Para esta edição de 2014, foram selecionados 24 trabalhos de um universo de 80 inscritos. Os autores desses trabalhos – exclusivamente, professores de filosofia no ensino médio – estão distribuídos em 11 diferentes estados da federação (BA, DF, MG, MT, PE, PR, RJ, RN, RS e SP). Na edição anterior, houve um número maior de trabalhos inscritos – 120 –, mas, entre os selecionados, seus autores estavam concentrados em 7 estados (AL, BA, ES, PR, RJ, RS e SP), sendo que aproximadamente 60% deles eram oriundos do estado sede do encontro (PR), o que não acontecerá na edição  de 2014.

Que um evento ainda na sua segunda edição atinja um público tão diversificado e tão bem distribuído pelo território nacional, não se pode tomar como um acontecimento fortuito. O sucesso dessa iniciativa, na qual professores da educação básica podem apresentar os resultados de suas atividades de docência e de pesquisa realizadas após a graduação, aponta para a constituição de uma comunidade de professores-pesquisadores e remonta à mobilização desencadeada pelas lutas pelo retorno da filosofia ao ensino médio, cujos primeiros movimentos ocorreram no final da década de 1970. 

Um fato notável é que essa mobilização pela filosofia no ensino médio tenha se mantido ativa mesmo depois da promulgação da Lei nº 11.684, de 2 de junho de 2008, que tornou obrigatória a disciplina de filosofia nas escolas. Duas ações, no âmbito da ANPOF, foram decisivas para isso. Primeiro, a discussão que deu origem às Orientações Curriculares Nacionais (PCNEM) publicadas em 2006, cuja condução esteve a cargo de representantes da comunidade filosófica nacional indicados pela ANPOF. Segundo, a atuação do GT Filosofar e Ensinar a Filosofar, cuja primeira reunião ocorreu em 2006, durante o XII Encontro Nacional de Filosofia, em Salvador. 

É indiscutível que, a partir 2012, essa mobilização ganhou novo impulso com a grande acolhida alcançada pelo Encontro da ANPOF_EM entre o seu público-alvo e entre diversos outros segmentos da comunidade filosófica nacional. Certamente, para muitos professores cujos trabalhos acima mencionamos, a decisão de inscrevê-los nos dois últimos encontros nacionais de filosofia foi fortemente influenciada pelo fato de que se tratava de eventos promovidos pela ANPOF.

Em vista desse quadro, a comissão organizadora do II Encontro ANPOF_EM dirige-se a toda comunidade filosófica nacional para propor um debate, que deverá ser iniciado aqui neste fórum e ter o seu desfecho no Simpósio da ANPOF_EM. Esse simpósio é parte da programação do encontro e consiste de uma mesa-redonda sobre temas relacionados à articulação entre a pós-graduação e a formação de professores . 

O debate em questão é acerca da criação de um PROF da Filosofia. Os PROFs são mestrados profissionais em redes de âmbito nacional destinados a professores da educação básica. Eles atendem à política de articulação entre pós-graduação e a formação de professores mantida pela CAPES nos últimos anos. Há PROFs em funcionamento nas áreas de física, matemática, história, letras e artes, e em fase de implantação nas áreas de química e sociologia. Assim, para traçarmos um diagnóstico mais completo das opiniões e propostas de encaminhamento da comunidade acadêmica filosófica, a Comissão Organizadora da ANPOF do Ensino Médio 2014 sugere esse tema para um debate prévio neste Fórum.

Na última década, por força da lei, os cursos de licenciatura ganharam integralidade própria em relação aos bacharelados. Temos assistido a diversas mudanças nas estruturas dos cursos de graduação em filosofia, bem como no perfil do egresso. As mudanças nas licenciaturas indicam a necessidade de revisar a relação entre a formação filosófica e a formação do professor. Por conseguinte, há uma notória demanda por pesquisas na área de ensino de filosofia no nível de pós-graduação.

Se, por um lado, pesquisas estritamente acadêmicas na área em questão têm sua natureza e seu locus específicos, por outro, é inegável a urgência e a necessidade de um espaço em que professores possam pensar, pesquisar, amadurecer, aprimorar e recriar as práticas filosófico-pedagógicas que têm sido desenvolvidas em nossas salas de aula da educação básica. Assim, ao lado das pesquisas já realizadas em programas de educação e de filosofia, o mestrado profissional para professores de filosofia poderia  proporcionar a criação ou a expansão de um espaço de reflexão voltado à docência da filosofia na educação básica dentro dos próprios departamentos de filosofia e dos demais departamentos que a eles se associam na formação inicial de professores.

São essas algumas das questões que gostaríamos de colocar para apreciação da nossa comunidade como preparação para o Simpósio da ANPOF_EM, durante o XVI Encontro Nacional de Filosofia, de 27 a 31 de outubro. Dentre outros, nossos objetivos são informar, esclarecer, fomentar discussões, propor iniciativas de encaminhamentos, sondar candidaturas de universidades interessadas em associar-se à proposta e articular comissões de trabalhos para as providências formais.

       

Eduardo Barra (UFPR)

Érico Andrade (UFPE)

Filipe Ceppas (UFRJ)

Gisele Secco (UFRGS)

José Leonardo Ruivo (PUCRS)

Marcelo Guimaraes (Unirio)

Marta Alencar (USP)

Patrícia Velasco (UFABC)


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