Adriano Correia Silva e Antonio Edmilson Paschoal
ANPOF
17 Nov 2017

Uma dos acontecimentos mais decisivos nos últimos anos em nossa área de Filosofia foi o estabelecimento da Filosofia como uma área de avaliação independente na CAPES. Certamente foi uma boa novidade não porque a relação com a área de Teologia apresentasse problemas dignos de nota, mas porque, como a própria área de Teologia, ganhamos mais liberdade para pensar a especificidade da formação e da pesquisa em Filosofia e nos firmamos como interlocutores independentes no próprio âmbito da CAPES.

Apresenta-se agora para nós a ocasião de participarmos da consulta para definição dos indicados à CAPES para a coordenação da nossa área, uma vez que o mandato atual terminará em março de 2018. Pensamos ser inegável o grande trabalho desenvolvido pela atual gestão, que se manifesta no aprimoramento na especificação e na transparência dos critérios do Documento de Área, do Qualis Periódicos e do Qualis Livos, assim como na compilação dos dados da avaliação dos programas no relatório de avaliação. Trata-se, contudo, de um trabalho em curso, que requer ainda o aprimoramento do sistema de avaliação de livros, nos critérios para a alocação dos periódicos nos estratos superiores do Qualis Periódicos e ainda na definição dos critérios para a atribuição dos conceitos aos programas, para mencionar o talvez mais evidente, sem deixar de registrar que estas tarefas podem ser tidas por permanentes e serão retomadas a cada avaliação.

Esperamos que neste fórum a comunidade possa se manifestar sobre o Futuro da Pós-graduação em Filosofia e sobre o que não pode ser ignorado caso queiramos continuar avançando na consolidação de nossa área com a recente expansão regional, a elevação da qualidade da produção e a ampliação da sua internacionalização.

Nesta intervenção, como contribuição inicial ao debate, gostaríamos de nos deter na definição do pessoal envolvido na avaliação da área e na necessidade de pensarmos a eleição não apenas a partir de nomes, mas de propostas, num espaço público, próximo ao que tivemos na última eleição da ANPOF e que teremos na próxima. Como sabemos, uma vez nomeado, o Coordenador de Área tem a prerrogativa de escolher a Coordenação Adjunta e a Coordenação Adjunta de Mestrado Profissional, além de indicar, sem consultar a comunidade, as comissões que avaliarão os periódicos, os livros e os programas. Esta atribuição institucional altamente relevante para a área, embora respeite em alguma medida critérios de rotatividade dos membros, de representação regional, por conceitos e ainda por gênero, é feita sem uma consulta à comunidade.

O tema da constituição das comissões provavelmente será objeto de reflexão futura no âmbito deste mesmo fórum ou no fórum paralelo que discute a última avaliação. Nosso objetivo neste texto é o de advogar a tese de que quem se apresentar à comunidade como pleiteante à nomeação para a coordenação de área, ou consentir que o seu nome o seja, que o faça já com a indicação prévia dos coordenadores adjunto e de mestrado profissional a serem indicados e com propostas claras sobre como pretende compor as comissões de avaliação caso venha a ser nomeada ou nomeado.

Uma vez que a comunidade participa diretamente apenas desta consulta e que após a nomeação a equipe de coordenação da área desfruta de autonomia institucional compatível com as funções que desempenhará, julgamos que, cabe reiterar, além de reflexões sobre o estado atual da área e das propostas de atuação da eventual futura coordenação, é decisivo que as/os pleiteantes submetam a equipe a ser constituída à apreciação das instituições que participarão da consulta (os programas de pós-graduação e a própria ANPOF) e, mais ainda, que a participação no pleito se faça acompanhada de propostas específicas de atuação. 

Certamente tal expediente, centrando a discussão na equipe e em suas propostas, tornará mais amplo o debate e julgamos que estará em consonância com a proposta de condução do processo pela atual diretoria da ANPOF, bem como com os princípios subjacentes à elaboração do último Documento de Área e do respectivo Relatório de Avaliação, assim como com a atuação da comissão cujo mandato findará em breve.


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