Estudos sobre a Ideologia Avançada

Universidade Federal do ABC
marilia.pisani@ufabc.edu.br

Quando O homem unidimensional surgiu em 1964, o cenário que Marcuse deineia é o da paralisia da crítica. Dividido entre análises da sociedade unidimensional e do pensamento unidimensional, o autor apresenta um diagnóstico de fechamento das possibilidades. 

 

Decerto, em um mundo polarizado pela Guerra Fria, o mundo do trabalho integra para si direitos  que asseguram a uma parcela da classe trabalhadora nos ditos países desenvolvidos. Haveria uma coexistência pacífica entre as classes sociais, bem como entre os dois grandes polos de poder que dividiam o mapa mundi de então. Zona de conforto que gera subjetividades próprias, não mais marcadas por uma repressão social excessiva, mas capaz de satisfazer seus desejos num amplo cartel de consumo. Zona de conforto que abate também o pensamento: quando a forma de conhecer gera uma linguagem onde os opostos historicamente constituídos partilham uma linguagem orwelliana de assimilação, onde paz é guerra, liberdade é servidão. Ou ainda pior, quando o universo da filosofia analítica retira do campo de verdade tudo o que não for identificado aos fatos positivos, fazendo da contradição mera performance metafísica. Zona de conforto, pois, do pensamento adequado aos fatos dados.  

 

Curioso notar um contraste: pois seria este um dos principais livros que alimentaram a Nova Esquerda alguns anos depois nos protestos de Maio de 1968. Talvez porque, quando se demonstra o universo fechado para as possibilidades, a história dê suas voltas. 

 

Celebrar o cinquentenário de um livro como O Homem Unidimensional nos remete a olhar as possibilidades nele inscritas com a distância que preserva sua força crítica. Livro interdisciplinar por excelência, capaz de abordar temas da sociologia, da psicologia e da estética; ou mesmo da política, da tecnologia e da filosofia. Livro que inaugura um novo gênero de reflexão: a busca de alternativas em um mundo sem alternativas. Talvez por isso mesmo, cinquenta anos depois, ele ainda tenha muito a dizer sobre nosso presente. Celebrar, pois, é avançar criticamente. 

 

 


25 Nov 2014 > Ocorrido há 2134 dias
25 Nov 2014 - 27 Nov 2014
18 Nov 2014

De 25 a 27 de novembro, das 14:00 às 18:45h

Local: UFABC Campus São Bernardo do Campo, Rua Arcturus.

 

Mesas redondas:

25 de Novembro (Sala A005)

14:00 - 16:00: DEMOCRACIA E REVOLUÇÃO 
Déborah Antunes (UFC)
Isabel Loureiro (UNESP/ UNICAMP). 
Coordenação: Alex Luppe (UFABC)

 

16:30-18:45: ESTADO E SOCIEDADE UNIDIMENSIONAL
Anderson A. Esteves (PUC)
Silvio Carneiro (USP)
Coordenação: Gustavo Leyva (UFABC)

 

26 de Novembro (Sala A002)

14:00 - 16:00: RACIONALIDADE TECNOLÓGICA
Rafael Cordeiro (UFU)
Mirian Madureira (UFABC)
Coordenação: Juliano Niklevicz Teixeira (UERJ)

 

16:30-18:45: FILOSOFIA E MOVIMENTOS SOCIAIS

Silvio Rosa (UNIFESP)

Jacira Freitas (UNIFESP)
Coordenação: Flamarion Caldeira Ramos (UFABC)

 

27 de Novembro (Sala A005)

14:00 - 16:30: ARTE, TECNOLOGIA E POLÍTICA 
Imaculada Kangussu (UFOP)
Marilia M. Pisani (UFABC)
Renato Fabbri (IFSC-USP)
Daniel Penalva (IF-UNESP)
Coordenação: Leandro Alves (UFABC) e Carlos Eduardo Ferreira Machado (UFABC)

 

17:00 - 18:45: CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO: POLÍTICA E LIBERDADE
Wolfgang Leo Maar (Filosofia – UFSCar).


UFABC

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Marilia Mello Pisani (UFABC), Flamarion Caldeira Ramos (UFABC)

Entrada Gratuita


CCHN-UFABC,

GeMarx

GEP-NEXOS

Labmacambira.


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