A Ditadura e a Universidade

UnB
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A Jornada

A Segunda Jornada de Filosofia Política da UnB: A Ditadura e a Universidade pretende ser palco de debates abertos sobre Marx e os marxismos no Brasil, sobre os intelectuais e sua função social, as universidades e o período do golpe e da repressão militar no Brasil. Esta jornada é desdobramento de ato realizado no dia 09 de abril deste ano, para rememorar a invasão da Universidade de Brasília, ocorrida nove dias depois do golpe militar de 1964, pela polícia do Dops e pelo exército. Foi assim que, em 09 de abril de 2014, um grupo de professores se reuniu e fez um balanço do impacto e do legado do Golpe na formação, hoje, de mentalidades universitárias capengas e alijadas da vontade de debater temas locais e internacionais candentes. Não foi para menos, afinal a Universidade de Brasília foi a primeira universidade brasileira a sofrer de imediato e mais agudamente a violência da repressão militar e foi invadida já no início das movimentações golpistas. O processo de perseguição e de repressão se alastraria, com virulência, nos meses e anos seguintes, em todas as instituições de ensino nacionais, não só para minar seus trabalhos, mas contra todas as expressões das vanguardas militantes, de homens e de partidos de esquerda, de intelectuais e de estudantes, de setores da igreja, de trabalhadores do campo e da cidade.

Desde a construção de Brasília até o clima de mudanças sociais profundas introduzido pelo governo de João Goulart, as ideologias que defendiam a tendência de se acumular esforços para a realização de um Estado-Nação moderno e independente eram o clamor do dia-a-dia. Nesse sentido, as reformas de base defendidas por Goulart seriam indispensáveis. Esse Estado-Nação burguês implicava, nos limites dos planos ideológicos defendidos por alas nacionalistas-burguesas, pelos poucos setores esclarecidos da Igreja e pelo Partido Comunista do Brasil, em estabelecer no plano econômico e político tanto a ampliação de mercado interno, por meio da reforma agrária, como uma política externa independente do imperialismo norte-americano. Tudo isso em ritmo acelerado para resolver problemas e entraves da realidade brasileira.

Como observava Roberto Schwarz, entre outros, havia conteúdos revolucionários inscritos nas propostas nacionalistas-burguesas de modernização e democratização, que poderiam em última medida, dependendo dos rumos que as coisas tomassem, romper os limites impostos pela economia capitalista numa nação periférica. Ocorre que os setores locais ligados à modernização logo se aliaram aos setores mais arcaicos da sociedade brasileira, quando a questão principal foi impedir a ascendência das lutas populares e da influência pequena do Partido Comunista no Brasil. Entretanto, o clima de mudanças profundas gerou uma série de soluções alternativas e inusitadas para se resolver problemas brasileiros. A Universidade de Brasília fez parte desse programa arrojado em se constituir e consolidar iniciativas que visavam contribuir para a modernização emancipatória do Brasil. Todo o empenho de Darcy Ribeiro, de Heron de Alencar, de Alcides da Rocha Miranda e de muitos outros, para a implantação do projeto experimental da Universidade de Brasília, foi interrompido. Nesse sentido, não é possível entender a construção da Nova Capital, a criação da Universidade de Brasília e a consequente crise do projeto modernizador brasileiro sem entender sua relação com o cenário da Guerra Fria e com o Golpe militar, pró-Estados Unidos, e a flagrante supressão de vários dos direitos fundamentais no Brasil.


15 Out 2014 > Ocorrido há 2175 dias
15 Out 2014 - 17 Out 2014
15 Ago 2014


Unb

A Ditadura e a Universidade | II Jornada de Filosofia Política da UnB

Está aberta a CHAMADA DE SUBMISSÃO DE RESUMOS para apresentação de COMUNICAÇÕES, com temas sobre Filosofia Política Contemporânea, Artes Visuais, Sociologia e Psicologia, que tratem do tema da Ditadura militar no Brasil e na América Latina, do impacto do Golpe Militar nas Universidades Brasileiras, das medidas governamentais ligadas às comissões da verdade e outras formas de refletir sobre as ações produzidas pelo terrorismo de Estado implementado tanto no Brasil como na América Latina. Os temas da Jornada são:

1)    Política e ditadura;

2)    Artes visuais e ditadura;

3)    A UnB e a ditadura.

A SUBMISSÃO DE RESUMOS tem como data limite o dia 15 de agosto de 2014, às 22 horas no horário de Brasília.

http://jornadadefilosofiapoliticadaunb.wordpress.com/inscricao-para-comunicacoes/


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