COSMÓPOLIS: MOBILIDADES CULTURAIS ÀS ORIGENS DO PENSAMENTO ANTIGO

Universidade de Brasília

A Cátedra UNESCO Archai da Universidade de Brasília e o Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra anunciam com satisfação a realização do XII Seminário Internacional Archai COSMÓPOLIS: MOBILIDADES CULTURAIS ÀS ORIGENS DO PENSAMENTO ANTIGO, a ser realizado em Coimbra (Portugal) nos dia 9 e 10 de Dezembro de 2014.

O evento conta com o apoio do Programa de Cooperação Internacional CAPES/FCT e da UNESCO.


09 Dez 2014 > Ocorrido há 2115 dias
09 Dez 2014 - 10 Dez 2014
Coimbra (Portugal)

Grupo Archai: As origens do pensamento ocidental
Gabriele Cornelli

Segue abaixo a proposta teórica do seminário, a ser considerada por quem desejar submeter uma comunicação:

Os diversos discursos acerca da globalização deixam entrever, em que pese as suas tensões e contradições, um desejo de construir o espaço e o tempo do encontro entre mundos e culturas, mediante a persistência de um diálogo que aproxime as distâncias, mas respeite as diferenças. Há muito esse compromisso move os trabalhos da Cátedra UNESCO Archai, no interesse de compreender o presente e os traços do futuro discerníveis no quotidiano por meio de uma revisitação do passado – das origens plurais do nosso pensamento inscritas em sua configuração histórica. Em conformidade com essas diretrizes em que se mesclam o rigor acadêmico e uma sutil promessa de estreitamento de laços, sentimo-nos agora impelidos pelo desejo de revisitar as grandes Cosmópoleis antigas e as múltiplas visões-de-mundo que ousaram configurar. Tal será o tema do XII Seminário Internacional Archai, que se realizará em parceria com o Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, que acolhe este evento na bela cidade de Coimbra, com o apoio do Programa CAPES/FCT de colaboração internacional. Este seminário luso-brasileiro espera oferecer ocasião fecunda de estudos e intercâmbio para pesquisadores de diversos matizes e orientações. Seu perfil é interdisciplinar, como convém a esse gênero de investigação. Parte considerável da formação política, cultural, urbanística, linguística do mundo ocidental hauriu motivos e soluções da instituição das cidades antigas. Despontam entre algumas das suas figuras imorredouras os sábios itinerantes da Hélade; os filósofos-médicos da Magna Grécia; os andarilhos pitagóricos; a presença marcante no tecido geopolítico de figuras de “sofistas” como Górgias ou Antístenes; as viagens políticas de Platão e o cosmopolitismo imperial de Aristóteles; o fascínio pelo Outro de historiadores como Heródoto; o Museu de Alexandria e sua tradução da Bíblia Hebraica; as vida paralelas de Plutarco; as encruzilhadas culturais nas províncias de Roma. Todos esses grupos e pessoas sugerem uma mobilidade cultural que molda o mundo antigo e que encontra ecos profundos na construção do Ocidente até os nossos dias. Semelhante proposta de um seminário luso-brasileiro também se liga ao reconhecimento de que a mobilidade é mesmo um traço característico da cultura luso-brasileira – desde os descobrimentos portugueses e a sua literatura, nos primeiros passos da literatura jesuítica no Brasil, em especial em José de Anchieta, passando por António Vieira, Machado de Assis, Guimarães Rosa, entre outros. Por esse motivo, a presença e os diversos matizes do tema da mobilidade e da cosmópolis antigas na recepção da Antiguidade na literatura de língua portuguesa será igualmente um tema central do seminário. É assim grande o nosso prazer em convidar a todos os interessados em estudos antigos para uma reflexão e diálogos críticos com as origens plurais da(s) nossa(s) cultura(s), de que pode resultar o próprio aprofundamento crítico do estatuto da Cosmópolis em nossos dias, mediante a mobilidade científico-cultural e pedagógica. O encontro de duas tradições historiográficas e hermenêuticas próximas como aquela portuguesa e brasileira oferece excelente oportunidade para que todos se beneficiem das atividades formativas previstas – mais um passo na consolidação das pesquisas lusófonas no cenário internacional dos estudos clássicos e antiguidade em geral.


Programa de Cooperação Internacional CAPES/FCT e da UNESCO.



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