Artes do corpo, corpos da arte
14º Congresso Internacional de Estética
Universidade Federal de Ouro Preto
congresso2019@abrestetica.org.br

Com raras exceções, o corpo foi historicamente tratado de modo negativo pelo pensamento filosófico: como cárcere da alma, obstáculo à moralidade ou entrave ao conhecimento e à verdade. Na estética, contudo, o corpo e a sensibilidade sempre foram temas centrais, desde seus momentos originários – a saber, quando ela se constituiu como uma disciplina filosófica própria, cujas questões não se deixavam mais reduzir àquelas de que se ocupam a epistemologia e a moral. No século XVIII, e posteriormente no século XIX, foi com frequência a partir de uma remissão, nem sempre desprovida de tensões, à organicidade de suas partes que se procurou organizar um todo a partir das artes particulares. Corpos da arte designam, assim, múltiplas maneiras de sistematizar a produção nesse domínio de objetos, as quais tomam o corpo como modelo estruturante.

Mais recentemente, compreendem-se os corpos da arte de modo mais abrangente. De certo ponto de vista, todas as artes seriam artes do corpo. Em primeiro lugar, porque toda produção artística manifesta, em alguma medida, graus da potência corporal. Além disso, na perspectiva da fruição ou recepção, todas as artes envolvem o corpo enquanto instância capaz de sentir e muitas produções artísticas incluem o corpo de seus interlocutores em sua motricidade.

Assim, as artes do corpo e os corpos da arte seriam, a um só tempo, os objetos artísticos, os corpos dos artistas e os corpos dos fruidores – por vezes, também, recriadores. Como morada, pele, o corpo é lugar, é uma escala, e parte intrínseca da arte de construir espaços, das cidades e do planeta. Como suporte, o corpo é mídia para as artes e culturas. Como objeto e instrumento de arte, o corpo serve e se deixa investigar, torna-se mercadoria. Como arte e conhecimento, os corpos dão existência a culturas e mundos. Como estrutura orgânica, os corpos são (re)organizados tecnológica ou tecno-artisticamente Como parte de uma vasta (in)sensibilização do cotidiano, os papéis desempenhados pelos corpos tornaram-se uma permanente e crescente provocação estética.

Vemos proliferarem e se intensificarem investigações em artes da cena ou do performático, em artes da imagem e do som que, ou fazem vacilar, ou solapam inteiramente a crença numa identidade corporal assegurada pela entronização da fisiologia. Tais pesquisas assumem um caráter eminentemente político, na medida em que a constituição de subjetividades calcadas numa identidade supostamente baseada na fisiologia dos corpos é o fundamento de inúmeros dispositivos de controle do biopoder. Desse modo, pensar filosoficamente sobre as relações entre arte e corpo também é uma maneira de problematizar as normatizações e naturalizações do corpo, trazendo para o centro do debate formas marginalizadas de corporeidade, seja em termos de sexualidade e gênero, ou de classe, raça/etnia e território, de tecnologia ou presentes nas inúmeras atividades da vida cotidiana.

O XIV Congresso Internacional de Estética: Artes do corpo, corpos da arte acolherá pesquisas que abordem o tema principal, em sua complexidade e multiplicidade de perspectivas, bem como os subtemas a ele relacionados:

  • Corporeidades e política
  • Corpos em arte
  • Corpo: gênero e sexualidade
  • Corpo: raça, etnia,
  • Pensamento decolonial
  • Filosofia da dança, do teatro ou da performance
  • Estética, sensação e (in)sensibilidade
  • Corporeidades, espacialidades e temporalidades
  • O sistema das artes
  • O recalcamento do corpo na filosofia
  • Corpo e arte na psicanálise
  • Corporeidades tecnológicas
  • Indústria cultural
  • Ética e Estética
  • Culturas do corpo e esportes

22 Out 2019 > Ocorrido há 25 dias
22 Out 2019 - 25 Out 2019
01 Abr 2019 - 07 Jun 2019
IFAC, Ouro Preto, Minas Gerais
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Rachel Cecília de Oliveira
  • Os resumos devem ser compostos de título e um texto de 150 a 300 palavras;
  • É possível fazer inscrição para apresentação individual ou para apresentação de painel, o qual consiste em um grupo de três pessoas;
  • Os painéis constituem uma mini-mesa-redonda, com três apresentações que possuem uma clara afinidade temática;
  • Para fazer a inscrição de painéis é necessário enviar um formulário de inscrição para o painel e mais três formulários referentes a cada comunicação que será apresentada;
  • A apresentação da comunicação tem duração de 20 minutos, sendo os 10 minutos subsequentes destinados ao debate com a plateia.
  • Cada mesa será composta por 3 comunicadores e terá duração de 1h30 minutos;
  • Para que as comunicações (tanto individual quanto de cada um dos painéis) não excedam o tempo designado de 20 minutos, é recomendável que o texto definitivo não possua mais do que 2.500 palavras.

  • Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
  • Programa de Pós-Graduação Filosofia, Universidade Federal de Minas Gerias (UFMG)
  • Associação Brasileira de Estética (ABRE)

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