Os 70 anos de O segundo sexo
Universidade Federal de São Paulo - Unifesp
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No campo da filosofia, especialmente nas últimas décadas, se tem discutido cada vez mais uma situação que, em princípio, parece ter um caráter mundial: a baixa presença e a pouca representatividade das mulheres na filosofia, seja em termos institucionais (nas instituições de pesquisa, nos eventos e publicações científicas, nos cargos de liderança no meio acadêmico, em projetos de pesquisa), seja em termos históricos (nos livros de história da filosofia). Ainda é incomum encontrarmos obras, livros, artigos de filosofia de mulheres filósofas sendo, por exemplo, tema de disciplinas nos cursos de graduação em filosofia, ou de eventos científicos, de livros monográficos ou mesmo coletâneas, ou de dossiês em revistas de prestígio especificamente da área de filosofia. Quase todo o tempo a filosofia tem sido entendida e considerada sinônimo de trabalho de filósofos. Justifica-se comumente (e apressadamente, no mais das vezes) essa situação com a alegação de que entrada das mulheres na filosofia se fez de modo mais expressivo muito recentemente, há pouco menos de um século, e que, em termos históricos, elas, as mulheres, sempre estiveram fora da filosofia, nunca tiveram chance de produzir alguma coisa, ou então alguma coisa de mais relevante.

Há um bom tempo, contudo, filósofas e historiadoras da filosofia - feministas, principalmente - vêm se dedicando a derrubar esse mito e a mostrar que esse entendimento, do ponto de vista histórico, não se sustenta inteiramente. Hoje e cada vez mais se sabe que, desde a antiguidade clássica pelo menos, sempre houve mulheres filósofas que escreveram obras importantes e significativas em relação à produção de conhecimento de seu próprio tempo e que, se não figuram no céu da filosofia mais tradicional e mesmo canônica, isso se deve principalmente ao fato delas terem sido invisibilizadas ao longo da construção dessa história. De fato, como se sabe, há mulheres fazendo filosofia: hoje, aqui no Brasil, assim como ao longo de toda a história em diversas partes do mundo, desde a antiguidade clássica pelo menos. Em menor número em relação aos homens? Talvez sim. Em todo caso, essa história não pode deixar de ser contada. 

Em primeiro lugar, porque a filosofia dessas mulheres filósofas interessa, é rica e não menos significativa do que aquela eternizada na tradição; em segundo lugar, porque num mundo mais igualitário e justo as mulheres que exercem um trabalho, todos e qualquer um, incluindo o filosófico, precisam, enfim, ter lugar, existir efetivamente e legitimamente como tal. Assim, dentro desse grande campo que hoje chamamos de estudos de gênero, a proposta que dá sustentação a esse evento é a de dar ênfase às chamadas questões de gênero que se ligam à filosofia e às questões filosóficas pelo lado de dentro, tanto em termos conceituais como históricos: seja trazendo à luz da história mulheres que tiveram trabalhos e obras bastante significativas do ponto de vista filosófico, mas que foram invisibilizadas (no curso da história produzida pelos filósofos homens); seja ainda empreendendo uma leitura e uma interpretação da filosofia mais tradicional e canônica, contudo, de uma perspectiva inteiramente outra, isto é, crítica de um ponto de vista feminista.

​Em 2019 serão comemorados os 70 anos da publicação de O segundo sexo, de Simone de Beauvoir. Esta autora foi escritora, feminista, romancista, memorialista e também uma filósofa que, seguramente, figura entre aquelas que deram contribuições das mais significativas para a história do pensamento no século XX. O I Encontro Perspectivas Feministas em História da Filosofia, que tem esse propósito de retomar e dar visibilidade à filosofia de filósofas, buscará juntar seu propósito original com essa efeméride, tomando como tema específico de sua primeira edição O segundo sexo, de Simone de Beauvoir, entendido, sobretudo, como uma obra de filosofia e tendo em vista a contribuição desta para a história da filosofia no século XX, inclusive aqui no Brasil.


22 Mai 2019 > Ocorrerá em 34 dias
22 Mai 2019 - 23 Mai 2019
18 Mar 2019 - 18 Abr 2019
01 Abr 2019 - 20 Mai 2019

22 DE MAIO - quarta-feira

14h às 15h30 - Sessão de comunicações
16h às 18h - Minicurso: "Filosofia Feminista. O que é, de onde surgiu e como trabalha?" com a professora Dra. Ilze Zirbel

Intervalo

19h - Mesa de abertura: História da filosofia de mulheres filósofas: os 70 anos O segundo sexo, de Simone de Beauvoir
Convidada: Carolina Araújo - UFRJ
Convidada: Heci Regina Candiani - Unicamp
Mediação: Izilda Johanson - Unifesp

 

23 DE MAIO - quinta-feira

14h às 15h30 - Sessão de comunicações
16h às 18h - Minicurso: "Filosofia Feminista. O que é, de onde surgiu e como trabalha?" com a professora Dra. Ilze Zirbel

Intervalo

19h - Mesa de encerramento: História da filosofia de mulheres filósofas: os 70 anos O segundo sexo, de Simone de Beauvoir
Convidada: Janyne Satter - USFC
Convidada: Magda Guadalupe dos Santos - PUC - Minas Gerais
Mediação: Izilda Johanson - Unifesp


Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - Unifesp - campus Guarulhos
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