Jornadas de filosofia e literatura
Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade do Estado do Rio de Janeiro
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21 Jul 2020 > Ocorrido há 17 dias
21 Jul 2020
19 Jul 2020

21 de julho, terça-feira | 15h Jacyntho Brandão (UFMG) | “Uma visita de Alcibíades ou as formas da ideia” Na segunda versão do conto "Uma visita de Alcibíades", publicada em 1882, na coletânea intitulada Papéis avulsos, Machado de Assis esclarece que se trata de reescritura de outro conto, com o mesmo título, aparecido no Jornal das famílias, em 1876, nos seguintes termos: "Este escrito teve um primeiro texto, que reformei totalmente mais tarde, não aproveitando mais do que a ideia". Minha intenção é, do cotejo dos dois contos, investigar o alcance dessa "ideia", bem como suas conexões com outros autores, nomeadamente com Xavier de Maistre, e com a mudança de perspectiva estética que marca a chamada "segunda fase" da produção do escritor. 23 de julho, quinta-feira | 15h Fabiano Lemos (UERJ) | “Tu és jesuíta” Análise da peça O jesuíta, de José de Alencar, abordada a partir da perspectiva de uma crítica à teologia política dos inacianos na sua ligação com o projeto colonial. 28 de julho, terça-feira | 15h Cidah Duarte (UERJ) | “Racismo em tempos de pandemia: a (re)volta do paraíso colonial” Análise dos episódios das mortes de George Floyd, em Minneapolis, e do menino Miguel, em Recife, ressaltando os simbolismos contidos no fato de terem ocorrido no momento de uma pandemia. Usarei como base para o desenvolvimento das questões textos jornalísticos dos meses de maio e junho de 2020 e a peça Enfim o paraíso (Brasil Colônia), de Antonio Bivar e Celso Luiz Paulini. 30 de julho, quinta-feira | 15h Ulysses Pinheiro (UFRJ) | “A penúltima batalha do Urutú Branco” Ao contrapor as batalhas do Tamanduá-Tão e do Paredão, nos movimentos finais de Grande sertão: veredas, encontramos duas modalizações da ideia de luta: a situada no primeiro elemento apresenta uma forma de combate bem-sucedido, enquanto aquela outra situada no segundo percorre os matizes da derrota. No entanto, a luta, paradoxalmente, está associada à inatividade do líder, enquanto o fracasso é remetido à ação, quando o inverso pareceria mais natural. Através do exame dessas inusitadas propriedades da vitória e da deposição, poderemos elucidar um aspecto importante do pensamento político de Guimarães Rosa. 18 de agosto, terça-feira | 15h Eduardo Lopes (UERJ) | “Niilismo: A construção de um fenômeno em três discursos – uma análise de Pais e Filhos, Que fazer? e Crime e castigo” O nosso objetivo principal é apresentar os modos como filosofia, literatura e o debate político se relacionam nos três romances que nos servem de base. Pretendemos, com isto, demonstrar a viabilidade (e, em certo sentido, a necessidade) de conceber um modelo de romance que reconhece a importância dos mecanismos literários para a filosofia e, em contrapartida, dos meios pelos quais se pode desenvolver, em especial quando tratamos de temas profundamente ligados com a experiência subjetiva humana, a filosofia por intermédio de obras literárias. Ressaltamos, contudo, que não pretendemos, com isto, reduzir a filosofia ao posto de “organizadora” da literatura e nem a literatura ao posto de “emissária” da filosofia. 20 de agosto, quinta-feira | 15h Camila do Espírito Santo (UFCA) | “Escrita e criação em Platão” Propõe-se refletir sobre os paradoxos da escrita, da criação e da forma mimética na obra platônica, propondo, em diálogo com autores contemporâneos, a leitura como reescrita. 25 de agosto, terça-feira | 15h Antonio Carlos Luz Hirsch (UFRJ) | “O projeto literário de Romanceiro da Inconfidência e a vertente clássica de Cecília Meireles” O presente estudo se ocupa de analisar a concepção poética de Romanceiro da Inconfidência (1953), obra da escritora brasileira Cecília Meireles (1901-1964), tendo por base Como escrevi Romanceiro da Inconfidência (1955), uma conferência na qual a própria autora expõe o estatuto poético de sua obra. A poetisa menciona nesta oportunidade um impasse quanto ao modo de expressão que orientaria o projeto de escrever sobre a ‘Inconfidência Mineira’, evento histórico acontecido no século XVIII, na cidade de Vila Rica, em Minas Gerais. A mencionada aporia conduziu a autora a uma investigação sobre o gênero adequado à narrativa do que chama essencial expressivo da conjuração. Nossa tese é a de que o texto em questão se faz desde uma perspectiva literária oriunda da insatisfação em relação à modernidade, tendo como consequência a adoção de princípios poéticos antigos. A concepção da obra em apreço, distinguida, assim, pelo inconformismo quanto ao fazer literário, remete a um questionamento generalizado sobre o significado da poíesis em seu sentido mais radical. Romanceiro da Inconfidência admite que em meados do século XX carece ao escritor brasileiro refletir sobre as bases da teoria da literatura voltadas para definir e classificar os elementos do discurso. Ao nosso ver, a necessidade de se rever a dinâmica do conhecimento sobre a literatura sentida pela escritora corresponde a uma demanda não tanto circunstancial. Essa diz respeito, sim, a um imperativo de caráter universal que reclama por uma renovação na maneira de se pensar a literatura. 27 de agosto, quinta-feira | 15h Marcos Henrique Rosa (UERJ) | “Pessoas e Animais em Kafka” Em minha comunicação, procurarei mostrar como um exame do cenário ficcional construído por Kafka em Um relatório a uma academia – o de um símio (ou ex-símio) que narra sua transição de uma condição não-humana para uma condição humana – pode ampliar nosso entendimento reflexivo e nossa capacidade de avaliação do esquema conceitual em termos dos quais nós pensamos sobre nós mesmos como pessoas (no sentido lockiano do termo) e animais especificamente humanos. 15 de setembro, terça-feira | 15h Maria das Graças Augusto (UFRJ) | “A épica como artifício cômico: Helena de Tróia e a comédia carioca” Exame da figura de 'Helena de Tróia' no filme de José Carlos Burle, Carnaval Atlântida, tratada como um elemento cômico em um contexto épico. 17 de setembro, quinta-feira | 15h Maria de Fátima Silva (Universidade de Coimbra) | “Héracles, um paradigma cultural: Eurípides e Pausânias, dois testemunhos” Com esta proposta, pretendo articular o tratamento trágico que Eurípides dá de Héracles (Heraclidas, Héracles Furioso) com valores centrais no pensamento democrático ateniense. Ao mesmo tempo, pretendo usar o testemunho de Livro I de Pausânias, que regista o impacto que este mesmo motivo tinha na mentalidade ateniense e a influência mútua em relação ao poeta trágico: como é que uma certa tradição influenciou Eurípides e como é que Eurípides marcou em definitivo uma certa tradição. 22 de setembro, terça-feira | 15h Pedro Almeida (UFRJ) | “Literatura” Na relação “Filosofia e Literatura” interessa o questionamento da partícula conjuntiva “e”, buscando apontar, ao invés, a diferença irredutível entre ambas. Partindo do pressuposto de que entre dois discursos simbólicos não há uma continuidade complementar (como se a literatura naturalmente escoasse em desenvolvimento filosófico ou como se a inconsistência interna da filosofia fosse salva e redimida pela literatura), faz-se necessário um terceiro termo enquanto possibilidade de mediação, no caso, a psicanálise lacaniana. Evitando sempre que a incompossibilidade da simultaneidade de ambos os discursos se desdobre em inefabilidade, formulemos a seguinte proposta: a literatura não nos pede nada, mas é fraca para impedir que se faça o que se quer com ela. Longe de indicar uma impotência do discurso literário, buscamos justamente defender a literatura em sua literalidade enquanto possibilidade de construção de novas formas. Talvez somente assim poderemos salvar a Filosofia de si mesma, a libertando de seu comprometimento com um discurso que não se responsabiliza pelas consequências de seus atos. Se o discurso da Filosofia e da Ciência são marcados por um “continue a saber”, poderíamos sustentar que o traço distintivo da Literatura é o de que ela sempre já sabe? 24 de setembro, quinta-feira | 15h Igor Damásio (UERJ) | “Baise-moi: as potências do ódio e do estupro na literatura de Virginie Despentes” O pequeno ensaio se propõe a fazer uma leitura da experiência do estupro presente no romance Baise-Moi, de Virginie Despentes. Pretendo analisar como, no interior mesmo da cena, tal experiência do sofrimento, levada às últimas consequências, nos permite pensar na possibilidade de transformar o ódio em potência de resistência. 06 de outubro, terça-feira | 15h Carmel Ramos (UFRJ) | “Beckett e cartesianismo” A apresentação tratará da relação de Beckett com a filosofia a partir do modo como este se apropriou do cartesianismo. A opção autobiográfica, comum em seus romances, será tomada à luz das estratégias expositivas adotadas por Descartes em obras como o Discurso do Método (1637) e as Meditações (1641). Nesta chave, Beckett oscilará entre um uso paródico e performático da filosofia. 08 de outubro, quinta-feira | 15h Paulo Butti (Universidade de Bari) | título a ser anunciado


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