Adriano Correia Silva
15 Dez 2017

Relutei em voltar a este Fórum principalmente por não querer monopolizar um debate que segue bem seu próprio curso. Como, todavia, esta discussão ficará aqui registrada e é importante para a memória da nossa área e para discussões futuras, gostaria de fazer cinco precisões na recepção do que escrevi aqui.

1.

Em primeiro lugar, não escrevi em momento algum em nome da diretoria da Anpof, que ainda está a discutir, em um cenário ainda em definição, sobre como se posicionará na consulta. Reconheço que o tom por vezes enfático do meu texto pode dar a entender que falava em nome da diretoria, mesmo que ambos os textos tenham sido assinados (o primeiro por mim e por Antonio Edmilson Paschoal e o segundo apenas por mim mesmo). Também este texto não é escrito em nome da diretoria.

2.

Algo que também considero fundamental destacar é que a defesa de que os colegas a pleitear a função mais importante em nossa área apresentem com quem pretendem formar uma equipe não implica em defender que esta é a questão mais importante. Penso que a ementa do Fórum deixa isto bastante claro. Lançamos antes o Fórum para discutir avaliação precisamente porque as questões estão interconectadas, como bem observa o Vinicius Figueiredo em seu texto neste Fórum. Muito mais decisivo do que quem será nomeado pela CAPES para coordenar a nossa área nos próximos quatro anos são o diagnóstico adequado do que precisa ser aprimorado e os princípios que orientarão esta atuação. Não obstante, se tocamos em um tema que sequer foi mencionado no Fórum que discutiu a consulta anterior é porque julgamos que estes princípios se traduzem também de modo privilegiado na composição da equipe coordenadora da área.

3.

Por fim, em momento algum fiz crítica velada ou explícita à coordenação que agora encerra seu mandato. Já tive oportunidade de mais de uma vez dizer ao Vinicius Figueiredo que julgo que se podemos discutir certas questões e buscar avançar em outras é justamente porque o ponto de amadurecimento e publicidade dos critérios de avaliação em que estamos atualmente na área permite que possamos pensar em novas questões, muitas delas surgidas precisamente por conta deste amadurecimento. Julgo que o relatório pós-CTC divulgado pela atual coordenadoria permite que avancemos a partir de dados bem consolidados tanto no que tange a ajustes nos processo (como no volume adequado da produção docente e nos critérios tanto do Qualis Livros quanto no Qualis Periódicos, por exemplo) quanto a uma adequada compreensão qualitativa dos dados coletados.

Ainda no que concerne a este tema, cabe mencionar que o texto que escrevi com o Antonio Edmilson Paschoal terminava afirmando o seguinte: “certamente tal expediente, centrando a discussão na equipe e em suas propostas, tornará mais amplo o debate e julgamos que estará em consonância com a proposta de condução do processo pela atual diretoria da ANPOF, bem como com os princípios subjacentes à elaboração do último Documento de Área e do respectivo Relatório de Avaliação, assim como com a atuação da comissão cujo mandato findará em breve”. Penso que não poderíamos ser mais claros quanto a isto.

4.

Vale dizer ainda que a referência alegórica à “van” do nosso primeiro encontro nacional em meu próprio texto não visa fomentar qualquer interpretação depreciativa daquele momento fundador (leio e releio e não consigo perceber algo neste sentido). Antes o contrário, concluo meu texto destacando que “o crescimento e a consolidação da nossa comunidade em nível nacional em grande medida refletem os projetos e aspirações daqueles que fizeram parte de uma comunidade acadêmica de filosofia que praticamente cabia em uma ‘van’, nos idos anos 1980”. Também não penso que conseguiria ser mais claro quanto a isto.

Um dos elementos mais positivos do fato de que hoje não cabemos mais em uma “van” (e de fato nunca coubemos) é que podemos cada vez mais discutir, divergir, disputar e convergir publicamente em torno de ideias e princípios envolvendo cada vez mais pessoas sem que isto implique em um faccionamento da nossa comunidade acadêmica.

5.

Por fim, considerando a qualificação e a respeitabilidade dos colegas que se apesentaram no Fórum até agora, com seus diagnósticos, propostas e compromissos submetidos à apreciação da comunidade, só posso julgar que esta experiência, com todas as eventuais dificuldades, está sendo bem sucedida e contribuirá para a unidade da área nos próximos anos e para a legitimidade da atuação de quem enfim vier a ser nomeado pela CAPES, com quem colaboraremos estreitamente no período de coatuação institucional que nos couber.

 

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