05/09/2025

Genealogia, um modelo de teoria crítica? O debate Foucault-Habermas e o sentido da crítica social



Genealogia, um modelo de teoria crítica? O debate Foucault-Habermas e o sentido da crítica social

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Sinopse:
Desde os anos 1980, a obra de Michel Foucault tornou-se referência obrigatória na tradição da Teoria Crítica alemã. Habermas e Fraser atacaram as “confusões normativas” da genealogia, Honneth a situou como “estágio reflexivo” da teoria crítica e, mais recentemente, Amy Allen e Martin Saar buscaram dela se apropriar para tentar responder aos impasses teóricos da própria tradição. Este livro identifica o fio condutor que atravessa essas interpretações aparentemente divergentes.  A hipótese central é a de que esse debate é centrado em uma questão metodológica: pode a genealogia funcionar como um modelo coerente de teoria crítica? Tendo essa questão por fio condutor, o livro se propõe a examiná-la a partir de três eixos: crítica, poder e racionalidade. Em primeiro lugar, reinterpreta a genealogia a partir de sua dimensão “positiva”, como atividade cognitiva e esforço de conhecimento. Sustenta que seu caráter crítico reside sobretudo no ganho de conhecimento sobre a lógica de funcionamento das práticas sociais, e não na simples deslegitimação. Em segundo lugar, sugere que a “genealogia do poder” de Foucault deveria ser lida como uma crítica da tecnologia política. Seu objetivo seria o de elaborar um modelo de inteligibilidade cujo objeto são as técnicas de poder que estruturam a realidade social. Por fim, examina a relação entre história e razão para sustentar que, após lançar seu objetos em um “plano de imanência” governado pela contingência, a crítica genealógica precisaria daí arrancá-los pois assume  que uma “crítica corajosa do estado de coisas existente” depende da “exposição de uma melhor compreensão” da realidade (Kant) e vice-versa.

Sumário:
Introdução 9
1. A genealogia como atividade de diagnóstico 19
1.1 A acusação de “adesão parcial” ao projeto da modernidade 19
1.2 As confusões normativas da crítica genealógica 28
1.3 Alguns antecedentes das críticas de Habermas a Foucault 33
1.4 O debate que nunca aconteceu 42
1.5 Três tentativas de responder a Habermas 46
1.5.1 A liberdade como fundamento da genealogia 47
1.5.2 Uma posição “sensitiva” em termos meta-éticos 50
1.5.3 A genealogia como procedimento descritivo 54
1.6 “Conhecimento e interesse” na crítica genealógica 58
1.7 A genealogia como diagnóstico 61
1.8 O intelectual específico e o uso público da razão 65
1.9 O diagnóstico como prática teórica 68
1.10 Afinal, de que justificação carece a genealogia? 77
2. A teoria do poder como filosofia social 83
2.1 Introdução 83
2.2 Uma leitura padrão das obras de Foucault? 85
2.3 A teoria da racionalização social como cerne da Teoria Crítica 88
2.4 A teoria do poder como teoria da ação 93
2.4.1 A dissolução da “Dialética do esclarecimento” 93
2.4.2 O problema hobbeziano 96
2.4.3 Foucault como “estágio reflexivo” da teoria crítica da sociedade 99
2.5 Sobre a interpretação de Honneth 101
2.6 A reinterpretação da teoria do poder 106
2.6.1 Amy Allen 109
2.6.2 Martin Saar 115
2.7 Teoria do poder e teoria social 120
2.7.1 Bourdieu e Foucault 121
2.7.2 Weber e Foucault 124
2.8 Dois conceitos de “poder” em Foucault? 129
2.8.1 A ideia de “conduta da conduta” 129
2.8.2 A ideia de “tecnologia política” 131
2.9 Conclusão 133
3. Genealogia e história da razão 137
3.1 Introdução 137
3.2 Divisão ou dispersão da razão? 140
3.3 História e racionalização do poder 145
3.4 Genealogia das formas de racionalidade 151
3.6 É possível criticar sem ter Razão? 164
Conclusão 175
Referências bibliográficas 179

Trecho:
“Na referência constante ao pensamento de Foucault no interior da tradição, me parece que se expressa um problema e uma questão que é incessantemente recolocada: afinal, a genealogia pode ou não ser compreendida como um modelo de teoria crítica coerente em si mesmo? Ela precisa ou não de uma complementação ou de uma fundamentação? Qual seria o papel desempenhado pela genealogia na elaboração de um discurso crítico? Em que medida ela seria de fato candidata a funcionar como um modelo para a crítica social? Aqui, procurei abordar o que está em jogo nessas questões a partir das três noções em torno das quais elas se organizam, quais sejam: as noções de crítica, poder e racionalidade. Partindo dessas três noções, procurei entender a maneira como a questão sobre a possibilidade ou não de se compreender a genealogia como um modelo de teoria crítica aparece no interior da tradição. O ponto de partida, como não poderia deixar de ser, é o chamado debate Foucault-Habermas.” (p. 10)

Autor: Rodolpho Venturini é doutor em Filosofia pela UFMG (2025) na linha de Ética e Filosofia Política, com financiamento da CAPES e período de pesquisa na Université Paris 8 – Vincennes-Saint-Denis (2023) no âmbito do programa Capes-PrInt. É mestre em Filosofia também pela UFMG (2018) na linha de Filosofia Contemporânea com bolsa de pesquisa do CNPq. Atualmente realiza pesquisa de pós-doutorado no Cebrap (IPP). Suas principais áreas de pesquisa são Filosofia Social e Política, Ética, Filosofia das Ciências Sociais e História da Filosofia do Séc. XX.

Ficha Técnica/ISBN: 
Título: Genealogia, um modelo de teoria crítica? Foucault-Habermas e o sentido da crítica social
Autor: Rodolpho Venturini
Editora: Ed. PPGFIL-UFMG
Páginas: 190
Formato: PDF
ISBN: 978-65-01-62931-5
DOI: 10.5281/zenodo.17032379


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