Radar Filosófico - TRANSFEMINISMOS POSTHUMANISTAS
Cello Latini Pfeil
Doutorando em Filosofia (PPGF/UFRJ)
Bruno Latini Pfeil
Doutorando em Filosofia (PPGF/UFRJ)
23/09/2026 • Coluna ANPOF
O artigo Transfeminismos posthumanistas [Transfeminismos pós-humanistas] foi publicado em agosto de 2026 na edição temática Feminismos Posthumanos da revista argentina Estudios Posthumanos, projeto coletivo voltado a acadêmicos e não acadêmicos e ativistas que se questionem sobre as pós-humanidades e diferentes formas de se pensar o humano e o não-humano. A revista integra a rede Cosmografías: Rede Iberoamericana de Ontologias Pós-humanas, apoia o Manifesto After Open Access, e faz parte da Rede Latinoamericana de Pós-humanismo. A equipe editorial da revista é composta por diferentes pesquisadores de universidades da Argentina interessades nos estudos do pós-humano.
O artigo Transfeminismos posthumanistas, de Bruno Pfeil e Cello Pfeil, se propõe a questionar se seria possível conceber o transfeminismo como inerentemente pós-humanista. Considerando que o transfeminismo rejeita um “sujeito” do feminismo, Pfeil e Pfeil compreendem que o feminismo branco, tal como o feminismo liberal, operam de forma a perpetuar relações de poder racistas e capitalistas. Da mesma forma, os feminismos trans-excludentes, que os autores denominam também de cisfeminismos, perpetuam a exclusão e a estigmatização de pessoas trans, de modo a reproduzir, em seu âmago, a mesma lógica de violência do patriarcado. Os movimentos transfeministas, por outro lado, mostram como pessoas trans, intersexo, não-brancas, com deficiência, pobres e com sexualidades contranormativas são oprimidas pelo cistema branco, colonial e patriarcal, que tem como base ideologias humanistas.
Assim, os autores se questionam: é possível conceber um transfeminismo pós-humanista? Seria redundante associar o transfeminismo ao pós-humanismo? No âmbito dos debates sobre os feminismos pós-humanistas, a investigação recorre a referências do pós-humanismo, do transfeminismo e de estudos sobre transmasculinidades, articulando referências brasileiras e estrangeiras, para questionar as conexões entre transfeminismo e pós-humanismo. Considerando que o pós-humanismo crítico tem como principal característica a crítica à centralidade do “ser humano”, seria possível conceber o transfeminismo como inerentemente pós-humanista, dada sua rejeição de um “sujeito” do feminismo? Ademais, até que ponto essa rejeição transfeminista de um “sujeito” não reproduz a escolha de novos sujeitos? Em síntese, Pfeil e Pfeil se perguntam se o transfeminismo poderia ser considerado como inerentemente pós-humanista, ou se está fadado a reproduzir a lógica humanista. Essas são algumas das questões que o artigo pretende abordar.