O racismo e a urgência de novas epistemologias em sala de aula
01/12/2025 • Podcast Anpof
Este episódio foi gravado, por acaso, um dia depois do massacre na Penha e no Alemão, no Rio de Janeiro: 128 pessoas mortas. A maior parte delas, negras. A nossa proposta era termos uma conversa centrada sobre a consciência negra. Os convidados foram os professores Dr. Érico Andrade (UFPE) e Dr. Wallace de Moraes (UFRJ), integrantes do GT Filosofia e Raça. Inevitável, então, que esta conversa não abordasse o massacre.
E o que a Filosofia tem a ver com isso? Tudo.
Wallace e Érico são professores negros que vêm da periferia. Compartilham nessa conversa um pouco de suas trajetórias e experiências na Filosofia, como enxergam o espaço acadêmico e como inserem epistemologias contracanônicas em sala e nas pesquisas.
Nesta conversa, enfatizam a necessidade da Filosofia no Brasil estar alinhada com a realidade dos estudantes e de toda a população, cuja maioria é negra. Para isso, deve-se abrir para novas epistemologias, capazes de entender a nossa realidade, como a chacina na Penha e no Alemão. A violência na periferia também é uma forma de compreender como se produz desigualdades e impacta a formação dos estudantes.
Eles criticam uma suposta imparcialidade científica que acaba por desvalorizar certos tipos de produção de conhecimento. Para eles, é urgente que existam mais disciplinas voltadas para questões étnico-raciais para que a filosofia seja capaz de compreender a realidade brasileira.