JOÃO FILOPONO DE ALEXANDRIA NO SÉCULO XVI: UM FILÓSOFO CONTRA OS ANTIGOS OU EM DEFESA DA TRADIÇÃO?

Edição Julho-Dezembro: v. 1 n. 50 (2024) • Revista Ideação

Autor: Matheus Henrique Gomes Monteiro

Resumo:

No artigo, aprofundo a discussão sobre a recepção da obra De aeternitate mundi contra Proclum, do filósofo João Filopono, no século XVI. Nessa obra, o filósofo alexandrino, do século VI, defende a geração do mundo a partir do nada e com início de duração, respondendo a dezoito argumentos de Proclo em favor da eternidade do mundo. No livro XI, enquanto responde a Proclo, também define a matéria primeira como o tridimensional. Comento o debate a respeito da possível influência filosófica desse argumento em filósofos modernos e, em seguida, proponho a análise do que o editor e os tradutores do contra Proclum escreveram sobre a obra e seu autor. Defendo que, nesses escritos, João Filopono é descrito como um filósofo alinhado a Aristóteles e aos peripatéticos, porém capaz de corrigir os erros dos filósofos e usar a filosofia na defesa da religião.

Abstract:

In this paper, I delve into the discussion surrounding the reception of John Philoponus’ De aeternitate mundi contra Proclumin the 16th century. In contra Proclum, the Alexandrian philosopher defends the idea of the world’s generation from nothing, asserting its temporal beginning. This stance serves as a response to eighteen arguments put forth by Proclus in favor of the world’s eternity. In Book XI, while countering Proclus, Philoponus also defines prime matter as three-dimensional. I explore the debate surrounding the potential philosophical influence of this definition on modern philosophers. Subsequently, I propose an analysis of the 16th-century editor and translators’ perspectives on contra Proclum, examining their writings about the work and its author. My argument posits that, within these writings, John Philoponus is characterized as a philosopher aligned with Aristotle and the Peripatetics, yet able to rectify errors among philosophers and employ philosophy in defense of religion.

ISSN: 2359-6384

DOI: https://doi.org/10.13102/ideac.v1i50.10505

Texto Completo: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/article/view/10505

Palavras-Chave: Recepção moderna, Crítica ao aristotelismo, Matéria, Eternidade do mundo

Revista Ideação

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