O PROBLEMA DA UNICIDADE DIVINA NO BREVE TRATADO DE ESPINOSA

Edição Julho-Dezembro: v. 1 n. 50 (2024) • Revista Ideação

Autor: Luis Rusmando

Resumo:

Este artigo compreende uma análise das razões por meio das quais Espinosa justifica a unicidade divina no Breve tratado, a fim de vislumbrar sob que princípios o filósofo sustenta ter chegado ao estabelecimento da existência de Deus, isto é, de um ser do qual é afirmado tudo, a saber, infinitos atributos, cada um dos quais é infinitamente perfeito em seu gênero. Propomos defender que, em dita obra, ao conceder aos atributos o tratamento explícito de substâncias, o jovem Espinosa se depara com a difícil tarefa de (i) superar a autonomia ontológica dos atributos; (ii) conciliar, num mesmo ser, a multiplicidade substâncial que os atributos compreendem; (iii) demonstrar que tal ser tem existência real, ou, em outras palavras, é portador de um estatuto ontológico próprio. Com base nessa interpretação, propomos evidenciar que Espinosa dispõe o início da Ética, de tal sorte a superar os entraves ontológicos de sua filosofia jovem, definindo atributo como aquilo que constitui a essência da substância, e não como sendo propriamente uma destas, o que lhe permite estabelecer a unicidade divina, não como mera noção segunda de conjunto, mas como conciliação de uma infinita diversidade de gêneros, numa mesma e única substância.

Abstract:

This article provides an analysis of the reasons through which Spinoza justifies divine uniqueness in the Short Treatise, aiming to understand under which principles the philosopher claims to have established the existence of God, that is, of a being of whom everything is affirmed, namely, infinite attributes, each of which is infinitely perfect in its kind. We propose to argue that, in said work, by granting attributes the explicit treatment of substances, young Spinoza faces the challenge of (i) overcoming the ontological autonomy of attributes; (ii) reconciling the substantial multiplicity that attributes entail within the same being; (iii) demonstrating that such a being has real existence, or, in other words, possesses its own ontological status. Based on this interpretation, it seeks to show that Spinoza sets the beginning of the Ethicsin a way to overcome the ontological obstacles of his early philosophy, defining attribute as what constitutes the essence of substance, not as a substance itself, which allows him to establish divine uniqueness, not as a mere secondary notion of set, butas the conciliation of an infinite diversity of genres, in the same and unique substance.

ISSN: 2359-6384

DOI: https://doi.org/10.13102/ideac.v1i50.11461

Texto Completo: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/article/view/11461

Palavras-Chave: Espinosa; Substância; Atributos; Deus; Unicidade

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