BIOPOLITICS AND REPRODUCTIVE INJUSTICE: THE MEDICALIZATION OF REPRODUCTION AND TRANSITION

Edição: Janeiro - Junho: v. 1 n. 51 (2025) • Revista Ideação

Autor: Margaret McLaren, Sanjula Rajat

Resumo:

Sexuality plays a central role in Foucault’s philosophy, from his four volume series on the topic to his ideas about medicalization, biopower, and the abnormal.  Many of Foucault’s concepts, such as governmentality, biopower, and biopolitics, are useful for analyzing the effects of laws and policies regulating reproduction and sexuality.  This article brings Foucault’s ideas to bear on two aspects of sexuality, reproduction and trans health care, to show how the operations of biopower result in reproductive oppression. We briefly trace the history of the professionalization of medicine and the correlative shift in control over reproduction from midwives to doctors. Next we examine the issue of forced or coerced sterilization of people deemed “unfit” to reproduce; for example, those with cognitive or physical disabilities, non-whites, and poor people, exemplifying how biopolitics is a normalizing force. Biopolitics and normalization permeate trans health care as well, pathologizing trans people as deviant in order for them to be able to access gender affirming health care and imposing norms based on binary and stereotypical gender categories and whiteness resulting in a restrictive transnormativity.  Trans reproduction is subject to passive eugenics which makes sterility a requirement for transition related care. We demonstrate how reproductive oppression harms those who are not cisgender, heterosexual, cognitively and physically abled, and white; sex and biological reproduction are at the center of these processes of reproducing white, middle class workers in dyadic heterosexual family relations to perpetuate a ‘productive’ capitalist system.  We conclude by discussing the ways that active and passive eugenics work together in reproducing heteronormativity, the interimbrication of whiteness and heteronormativity, and the implications for citizenship, immigration, and population control in service to the nation-state

Abstract:

sexualidade desempenha um papel central na filosofia de Foucault, desde sua série de quatro volumes sobre o tema até suas ideias sobre medicalização, biopoder e o anormal. Muitos dos conceitos de Foucault, como governamentalidade, biopoder e biopolítica, são úteis para analisar os efeitos das leis e das políticas que regulam a reprodução e a sexualidade. Este artigo traz as ideias de Foucault para relacioná-las com dois aspectos da sexualidade, a reprodução e o cuidado de saúde trans, para mostrar como as operações do biopoder resultam em opressão reprodutiva. Traçamos brevemente a história da profissionalização da medicina e a mudança correlata no controle sobre a reprodução, passando das parteiras para os médicos. Em seguida, examinamos a questão da esterilização forçada ou coagida de pessoas consideradas "inaptas" para reproduzir; por exemplo, aquelas com deficiências cognitivas ou físicas, não-brancos e pessoas pobres, exemplificando como a biopolítica é uma força normalizadora. A biopolítica e a normalização também permeiam o cuidado de saúde trans, patologizando as pessoas trans como desviantes para que elas possam acessar os cuidados de saúde afirmativos de gênero e impondo normas baseadas em categorias de gênero binárias e estereotípicas, e na branquitude, resultando em uma transnormatividade restritiva. A reprodução trans está sujeita à eugenia passiva, o que torna a esterilidade um requisito para os cuidados relacionados à transição. Demonstramos como a opressão reprodutiva prejudica aqueles que não são cisgêneros, heterossexuais, com habilidades cognitivas e físicas, e brancos; a sexualidade e a reprodução biológica estão no centro desses processos de reprodução de trabalhadores brancos, de classe média, em relações familiares heterossexuais diádicas para perpetuar um sistema capitalista "produtivo". Concluímos discutindo as maneiras como a eugenia ativa e passiva trabalham juntas na reprodução da heteronormatividade, no entrelaçamento entre branquitude e heteronormatividade, e nas implicações para cidadania, imigração e controle populacional a serviço do Estado-nação.

ISSN: 2359-6384

DOI: https://doi.org/10.13102/ideac.v1i51.11836

Texto Completo: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/article/view/11836

Palavras-Chave: Foucault, Biopower, Reproductive Justice, Transnormativity, Trans healthcare

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