VIRTUDES E VÍCIOS EPISTÊMICOS E O CHATGPT

Síntese - Revista de Filosofia v.52, n.164 • Síntese - Revista de Filosofia

Autor: Veronica de Souza Campos

Resumo:

Este artigo analisa o ChatGPT sob a perspectiva da epistemologia das virtudes, argumentando que, apesar de certos benefícios, a ferramenta é mais propensa a fomentar vícios epistêmicos do que a cultivar virtudes. Após delinear as noções centrais da epistemologia das virtudes, particularmente a distinção entre virtudes e vícios intelectuais, o artigo avalia o impacto epistêmico de modelos de linguagem de grande porte (LLMs) na ciência e na educação. Embora o ChatGPT possa oferecer vantagens práticas como velocidade, acessibilidade e suporte pedagógico, ele também incentiva a passividade intelectual, enfraquece a memória, a autoria e o pensamento crítico, e reproduz vieses sociais. Essas dinâmicas geram o que estudos recentes descrevem como “dívida cognitiva”, uma erosão progressiva da autonomia e da responsabilidade intelectual. O artigo destaca que delegar tarefas epistêmicas ao ChatGPT frequentemente distorce propósitos, privilegiando resultados em detrimento de processos essenciais ao florescimento intelectual. Conclui que o uso generalizado e acrítico de LLMs corre o risco de consolidar a preguiça, a indiferença epistêmica e a desonestidade, minando, em vez de fortalecer, nossas capacidades como agentes epistêmicos.

Abstract:

This article analyses ChatGPT from the perspective of virtue epistemology, arguing that, despite certain benefits, the tool is more prone to fostering epistemic vices than cultivating virtues. After outlining the central notions of virtue epistemology, particularly the distinction between intellectual virtues and vices, the paper assesses the epistemic impact of large language models (LLMs) in science and education. While ChatGPT may offer practical advantages such as speed, accessibility, and pedagogical support, it also encourages intellectual passivity, weakens memory, authorship, and critical thinking, and reproduces social biases. These dynamics generate what recent studies describe as “cognitive debt,” a progressive erosion of intellectual autonomy and responsibility. The article highlights that delegating epistemic tasks to ChatGPT often distorts purposes, privileging results over processes essential to intellectual flourishing. It concludes that the widespread and uncritical use of LLMs risks consolidating laziness, epistemic insouciance, and dishonesty, thereby undermining rather than enhancing our capacities as epistemic agents.

ISSN: 0103-4332

DOI: 10.20911/21769389v52n164p533/2025

Texto Completo: https://www.faje.edu.br/periodicos/index.php/Sintese/article/view/6119/5570

Palavras-Chave: Epistemologia baseada em virtudes. ChatGPT. Vícios intelectuais